REPUGNANTE E AMEAÇADORA A DEMOCRACIA A ATITUDE DE R. ALVIM

REPUGNANTE E AMEAÇADORA A DEMOCRACIA A ATITUDE DE R. ALVIM
Publicado em: 24 de Janeiro de 2020

A demissão do Secretário Nacional de Cultura do Governo Bolsonaro foi altamente justificável. Não foi apenas a paráfrase que ele utilizou de Joseph Goebbels, mas tudo no vídeo se remetia ao que propôs a ideologia nazista para as artes. Como alguém que veio dos meios teatrais, Roberto Alvim conhecia muito bem de arte cênica e cenários, daí o choque de todos quando viram vários elementos no vídeo (cenário, texto, música, corte de cabelo, etc.), que realmente fazia referência a Goebbels. Até a posição do quadro de Bolsonaro, parecido com a posição do quadro de Hitler no gabinete de Goebbles, na Alemanha nazista.  Não tem justificativa aquele vídeo. Alvim acusou assessores que teria feito uma pesquisa para ele, no Google, a partir das palavras arte e nacionalismo. Era óbvio que estas duas palavras no sistema de busca do Google, acabaria sendo direcionado a Goebbles. Não é possível que Alvim não soubesse o impacto que daria na sociedade brasileira um vídeo como aquele. Depois, ele se desculpou dizendo que não é nazista, etc., mas o fato é que o vídeo já se tornou antológico como o flerte que deu com um dos regimes mais totalitários da história. 
Alvim queria prestigiar a cultura nacional, as artes brasileiras, anunciando um Prêmio Nacional das Artes, com várias categorias, a começar com a Ópera. E o estranho é que colocou como música de fundo do vídeo, a música de Richard Wagner, compositor preferido de Hitler. Se Alvim quisesse mesmo valorizar a arte nacional, por que não colocou como música de fundo um Vila lobos ou Carlos Gomes, ou Tom Jobim? Ainda há outro problema: não compete ao Estado o fomento da arte só nacional. Isso é uma espécie de engessamento numa época de cultura global, que não aceita mais a xenofobia. 
O importante é que a sociedade reagiu de imediato, e o presidente Bolsonaro acabou demitindo o secretário de Cultura que flertou com o nazismo, como  havia solicitado o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, dentre outras lideranças nacionais. Temos que ter responsabilidade histórica e reagir rápido a esses surtos, que ora emergem. Vivemos numa sociedade democrática e precisamos fortalecer as instituições democráticas. Daí o repúdio a toda e qualquer iniciativa que flerte com autoritarismos. Que o caso Roberto Alvim não s e repita mais, para que tenhamos o fortalecimento da democracia em nosso País. Que a secretaria de Cultura seja ocupada por alguém que tenha preparo intelectual e experiência política, com visão de conjunto do Brasil, para promover uma cultura promotora da vida. 

Valmor Bolan é Doutor em Sociologia. Professor da Unisa. Ex-reitor e Dirigente (hoje membro honorário) do Conselho de Reitores das  Universidades Brasileiras. Pós-graduado (em Gestão Universitária pela OUI-Organização Universitária Interamericana) com sede em Montreal-Canadá.



Fonte: Valmor Bolan
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