Daniel Paixão
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Coluna

Papudiskina

Papudskina - 09 de agosto de 2019

Papudskina - 09 de agosto de 2019
Publicado em: 09 de Agosto de 2019

LULA ESCAPA DE SER TRANSFERIDO - Um grupo de parlamentares e os advogados do Lula atuaram para que ele não fosse transferido de Curitiba para a prisão em Tremembé, SP. Por 10 votos a 1, o Supremo Tribunal Federal decidiu que ele deve continuar em Curitiba, como está. A transferência já vinha sendo solicitada pelo MPF e pela Polícia Federal pela quebra de rotina e tumulto que a prisão do ex-presidente provoca. Pelo menos por enquanto, Lula está livre de dividir a sala com outro preso, seja da Lavajato ou outro criminoso qualquer.

 

REFORMA DA PREVIDÊNCIA - Com mais deputados votando contra orientação de seus partidos, inclusive de Rondônia, Reforma da Previdência é finalmente concluída na Câmara. Veja os pontos que ficaram aprovados até o momento:
Idade mínima de aposentadoria: 65 anos para homens e 62 anos para mulheres;
Tempo mínimo de contribuição para trabalhadores do setor privado: 15 anos para mulheres e 20 anos para homens (15 anos para homens já no mercado de trabalho);
Tempo mínimo de contribuição para o funcionalismo público: 25 anos para homens e mulheres;
Idade mínima de aposentadoria para trabalhadores da área rural: 55 anos para mulheres e 60 anos para homens;
Idade mínima de aposentadoria para professores: 57 anos para mulheres e 60 anos para homens;
Policiais federais, legislativos, civis do DF e agentes penitenciários: idade mínima de 55 anos para homens e mulheres poderem se aposentar;
Regras de transição para quem já está no mercado de trabalho.

 

NIÓBIO EM RONDÔNIA? - Nesta semana um jornal eletrônico de Rondônia publicou que Rondônia também possui enormes jazidas de nióbio e chegou a calcular, sem qualquer base científica ou mercadológica, que esse minério poderia gerar para Rondônia três trilhões de reais. Do jeito que foi publicado, sem qualquer embasamento, fica difícil acreditar na reportagem.
O problema do nióbio é que, tendo mesmo uma quantidade tão grandiosa no Brasil, se o minério for explorado e exportado em larga escala, o seu preço será muito reduzido.
Mas já que há essa especulação, vamos entender um pouco o que é esse minério. O nióbio é um elemento químico da tabela periódica, localizado na quinta coluna entre o zircônio e o molibdênio. Seu número atómico é o 41 e é classificado como metal de transição; ou seja, esse metal deixa o aço ainda mais forte e resistente.
Foi descoberto em 1801 por Charles Hatchett, quando o químico inglês analisava amostras de uma rocha do acervo do Museu Britânico. No Brasil, foi o geólogo mineiro Djalma Guimarães que, em 1953, descobriu a reserva em Araxá, Minas Gerais.
As maiores reservas ativas do nióbio se encontram no Brasil: são cerca de 98,4% do total mundial no nosso país. Canadá detém da segunda maior e conta com apenas 1,11%. No Brasil, as maiores reservas se encontram nos estados de Minas Gerais (Araxá e Tapira), Amazonas (São Gabriel da Cachoeira e Presidente Figueiredo) e Goiás (Catalão Ouvidor).
Após estudos realizados por especialistas, acredita-se que atualmente existam 842 milhões de toneladas de nióbio em Araxá, o suficiente para cobrir a demanda mundial pelos próximos dois séculos. Veja bem: há uma quantia tão grande, que nem teria como uma exploração massiva.
Quem controla todo esse minério?
Na década de 1960, Walther Moreira Salles, banqueiro e ex-embaixador brasileiro em Washington, EUA, se tornou acionista majoritário das operações da CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração) em uma mina de nióbio em Araxá. Desde então, a mina pertence à família Moreira Salles, que hoje detém cerca de 70% das ações da empresa. Em 2011, os irmãos João e Walter venderam 30% da empresa -15% para um consórcio japonês-sul-coreano e 15% a um grupo de empresários chineses- por US$ 3,9 bilhões.
Quais são suas utilidades?
O telescópio espacial Flubble, o viaduto francês de Millau, considerado o mais alto do planeta, e o acelerador de partículas Grande Colisor de Hádronssão alguns dos equipamentos que contêm nióbio em suas ligas ou condutores.
O metal também pode ser encontrado em equipamentos médicos, reatores nucleares, plataformas de petróleo e turbinas de avião.
Seria então, o nióbio, o substituto do ouro e o responsável por nossa independência económica?
"Embora seja um minério abundante no Brasil, ele não é raro no mundo. Existem por volta de 85 depósitos conhecidos, a maior parte não explorada comercialmente", explicou Marcos Stuart, diretor de Tecnologia da CBMM à revista Pesquisa Fapesp em março deste ano.
Ele também nega boatos de que o produto seja contrabandeado a partir do Brasil. "A CBMM criou o mercado de nióbio a partir da descoberta da mina em Araxá. Antes, pouco se sabia sobre esse elemento e seus benefícios nos segmentos em que é aplicado."
O geólogo Marcelo Ribeiro Tunes, diretor do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), também disse na mesma reportagem que não procede a crítica de que o Brasil vende nióbio a preços baixos. "O preço dos produtos de nióbio, entre US$ 40 e US$ 50 o quilograma, reage de acordo com o mercado. Se o preço aumentar de forma irracional e especulativa, os clientes buscarão outras opções", diz.
A tonelada de minério de ferro vale US$ 90 (ou US$ 0,09 o quilo), enquanto uma onça de ouro (31,1 gramas) é negociada por US$ 1,3 mil. Um quilo do metal custa US$ 41,8 mil, cerca de mil vezes o valor do nióbio.



Fonte: Daniel Oliveira Paixão
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