Daniel Paixão
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Uma semana tensa na Polícia e na Política - Papudskina - 02 de agosto de 2019

Papudskina - 02 de agosto de 2019
Publicado em: 02 de Agosto de 2019

Uma semana tensa na Polícia e na Política - Em Altamira, no Pará, houve um massacre de grande repercussão nacional e internacional. As mortes, diriam alguns, são frutos da superlotação. Não há como comprovar essa narrativa, visto que essas mortes foram deliberadas e realizadas a mando dos chefes de facções rivais. De acordo com o que se apurou até aqui, em Altamira, há uma facção local chamada Comando Classe A (CCA) e que divide o presídio com integrantes do Comando Vermelho, e que foram eles  vítimas desse ato praticado pelos integrantes da CCA.
Independentemente de quantos presos existissem ali, é bem provável que a chacina aconteceria de qualquer jeito. De todo modo, a situação é preocupante.  Revela a falta de capacidade do estado brasileiro em proteger aqueles que estão sob sua custódia. Lamentável esse tipo de situação, pois os familiares agora choram suas vítimas.  Ao todo, até aqui, foram 62 mortos. O número é superado apenas pela chacina de Carandiru, ocorrido em 1992, quando 111 presos foram assassinados, e o quinto com alta letalidade registrado no sistema prisional brasileiro desde janeiro de 2017 — em dois anos e meio, o país teve 227 vítimas fatais. O caso mais recente aconteceu em unidades prisionais de Manaus, em maio deste ano, e deixou 55 mortos.
Essa matança em Altamira também teve repercussão política no país. Em uma semana atribulada, o presidente Jair Bolsonaro não foi, digamos, politicamente correto em relação à tragédia. Deveria, como chefe da nação, pronunciar-se imediatamente após o episódio e não o fez. Depois, ao ser questionado pela imprensa para que desse sua opinião sobre os fatos,  o presidente simplesmente respondeu: “Pergunta para as vítimas dos que morreram lá o que eles acham"! Entendemos que Bolsonaro está sob pressão, sob ataque de uma imprensa que o fustiga todos os dias, mas ele precisa ter mais controle sobre o que fala. Ao falar essa barbaridade, ele se esquece de que, apesar de os mortos serem presos, muitos deles criminosos de alta periculosidade, os mesmos também tem familiares que estão chorando pela perda de seus entes queridos.

O caso do presidente da OAB - De todas as falas de Jair Bolsonaro, nesta semana, sem dúvida a que causou maior repercussão foi o entrevero dele com o presidente esquerdista da OAB, Felipe de Santa Cruz Oliveira. Revoltado com o fato de a “OAB”, segundo ele, não ter permitido uma investigação mais séria sobre o criminoso que o tentou matar durante a campanha eleitoral, Bolsonaro remexeu no passado e falou sobre a morte do pai de Felipe, o ex-membro de um grupo que confrontava o Exército Brasileiro que comandava o país na década de 70 do século passado. Sobre o pai de Felipe. Bolsonaro afirmou ter ciência de como Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, integrante do grupo Ação Popular, “desapareceu no período militar”. Depois, disse que o militante foi morto por correligionários na década de 1970. A declaração contraria uma lei vigente e uma decisão judicial que reconhecem a responsabilidade da União no sequestro e desaparecimento do então estudante de Direito em 1974.
Esse tipo de fala de Bolsonaro não contribui em nada e desestabiliza seu governo. A fala foi o gancho que faltava para que a esquerda raivosa venha a falar com mais vigor em pedir o seu impeachment, alegando falta de decoro. Penso que está na hora dos conselheiros mais próximos do presidente do Brasil tentarem falar com ele a respeito desse seu destempero. Sei que ele tem um jeito próprio de ser e foi eleito justamente por ser espontâneo e mandar às favas o jeito politicamente correto em vigor no país no tempo em que o PT esteve no poder e que sabemos que de correto existia apenas a retórica.
De todo modo, mexer e remexer no passado não vale a pena, especialmente quando se diz respeito época sombria em que o regime militar comandou o país. Não foram tempos de matanças, como diz a esquerda, mas houve, sim, reconhecidamente, alguns excessos por parte da ditadura, embora também seja verdade que grupos de esquerda ensaiaram várias ações contra o governo de então.
Um exemplo disso, que mostra que o período era tenso entre governo e oposição, é o fato de que Fernando de Santa Cruz (pai do hoje presidente da OAB) foi integrante do grupo Ação Popular (AP). Ainda assim é preocupante que o presidente remexa esse passado que deveria ser esquecido. É verdade que as esquerdas também mataram integrantes das forças armadas, seqüestraram autoridades nacionais e internacionais e que o seu objetivo, claramente, era o de implantar no país uma ditadura de esquerda, nos moldes da “Revolução Cubana”.
Dito isto, o que os conselheiros mais próximos do governo, especialmente os militares, devem aconselhá-lo para que, daqui para a frente, evite dar essas declarações polêmicas não só sobre a tal “ditadura” que a esquerda apregoa, como também sobre outras falas igualmente agressivas que ele costuma proferir quando acuado.
Uma coisa, porém, temos de admitir. Embora preocupantes as falas de Bolsonaro, que revela sua natureza intempestiva, suas reações ocorrem em razão de uma oposição raivosa e opressiva. Mas ainda assim, ele precisa se comportar com o comedimento que o seu cargo lhe impõe. É o que penso.

 



Fonte: Daniel Oliveira Paixão
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