Daniel Paixão
Daniel Paixão

Coluna

Papudiskina

Papudiskina de 10 de maio de 2019

Papudiskina de 10 de maio de 2019
Publicado em: 13 de Maio de 2019

VIOLÊNCIA SEM FIM E OS PERIGOS DOS QUE SE FIAM SÓ EM REDES SOCIAIS - Nesta semana Cacoal perdeu mais um dos seus filhos ilustres em razão da violência. Um dos advogados mais brilhantes de nossa cidade teve a vida ceifada precocemente. O ato lamentável aconteceu na terça-feira, por volta de 13h30, quando os servidores encerram seu expediente no serviço público.
Todos nós que conhecíamos o DrSotelli lamentamos profundamente o ocorrido. A morte dele teve repercussão imediata. Em tempos de redes sociais, a notícia não mais precisa dos meios tradicionais para se propagar, como rádio, jornais e TVs. Rapidamente toda a sociedade é informada através dessa mídia alternativa. O problema é que não é possível validar imediatamente os fatos quando veiculados por esses meios.
Muita gente distorce a verdade, aumenta a realidade e transmite informações absurdas que nada tenha a ver com os fatos. Foi o caso. Rapidamente informou-se que tiroteio em frente à Câmara teria resultado na morte de vereadores na cidade. Esse tipo de informação distorcida reacende o alerta para que não confiemos em tudo o que vemos nas redes sociais. Temos de esperar que um órgão de imprensa valide as informações, se por outro meio não pudermos chegar à fonte e checar o que realmente aconteceu.
Ocorre, porém, que nem todos veículos de informação contribuem para que a informação chegue de forma equilibrada até os receptores. Alguns veículos, no afã de ser o primeiro a dar a notícia, violam valores que devem nortear o bom jornalismo. Uma notícia triste como essa precisa ser divulgada de modo a não chocar a família da vítima. Fazer malabarismo para encher o texto, com informações que nada tenham a ver com o ocorrido, é faltar com o respeito à família enlutada. Eu, como membro da imprensa desde 1987, fico muito triste quando vejo esse tipo de situação. Fico indignado, pois acredito que há forma equilibrada de se dar uma notícia, sem ofender a memória da vítima e de sua família.

COISAS ESTRANHAS ACONTECENDO NO CONGRESSO NACIONAL - A sociedade brasileira precisa ficar muito atenta ao que se passa no Congresso Nacional para evitar que congressistas espertalhões coloquem “jabuti” em meio às medidas provisórias e outros documentos legislativos em apreciação. O que significa jabuti? São disposições alheias ao texto original com o objetivo de atender a interesses principalmente de figurões da república, como essa medida que agora pretendem passar para tirar dos auditores fiscais de apurar crimes que não sejam tributários. Os Jabutis, como sabemos, não sobem em árvores. Se estão lá é porque algo estranho aconteceu. Geralmente se um jabuti está no topo de uma árvore, alguma pessoa o colocou lá.
No caso desse jabuti referente aos auditores fiscais, a emenda, ao que tudo indica até aqui, foi uma proposição de Eduardo Braga (MDB), embora ele não assume publicamente a paternidade. A emenda, contudo, já foi incluída pelo relator, seu correligionário de partido, Fernando Bezerra.
Irritado com essa tentativa de aproveitar uma medida provisória para atentar contra o trabalho dos auditores fiscais em denunciar crimes que estejam sendo praticados por altas figuras do país, o Senador Major Olímpio já apontou o principal beneficiário de tal medida: Gilmar Mendes.

DEPUTADOS ESTADUAIS AGORA SÓ PODEM SER PRESOS SE OS COLEGAS QUISEREM - Impressão ou o Supremo Tribunal Federal quer mesmo que políticos sejam inimputáveis em tudo? Agora, com a mudança de entendimento de Dias Toffoli, agora as Assembleias Legislativas podem barrar prisões de deputados.
A votação sobre a prisão de deputados foi iniciada em novembro de 201. O julgamento foi interrompido quando o placar registrava 4 votos a favor da bandidagem e 4 votos pela moralidade. Dias Toffoli era um dos que entendiam que os deputados não teriam poderes para revogar ordens de prisão. Os Ministros que faltavam votar eram Luís Roberto Barroso e Ricardo Lewandowski. Um votou a favor dos malandros e outro contra. No geral, ainda resistia posição favorável para que os deputados presos continuassem na tranca, sem que os coleguinhas o pudessem livrar suas peles. Mas eis que agora o senhor Tofoli, como presidente do STF, resolveu atender aos reclamos dos deputados e devolveu-lhes imunidade.
O presidente do STF agora concorda com Ricardo Lewandowsky que, em seu voto, declarou: “Os parlamentares representam a soberania popular. Se não se proteger o parlamentar eleito pelo povo, certo ou errado esteja esse povo, nós caminharemos a passos acelerados para regimes autoritários e ditatoriais. A Constituição dá imunidade absoluta para o livre exercício do mandato parlamentar. ...”
Absurda essa argumentação. Não é porque o povo escolhe um parlamentar que ele tenha o direito de praticar crimes e ficar ilesos. Votamos em alguém para nos representar com dignidade no parlamento e não para que atuem como canalhas. Se alguém em que votamos roubou, queremos que ele seja preso e pague pelos seus crimes. Ao menos nós que não temos corruptos de estimação, como tem uma certa galera doutrinada para quem as provas só tem valor para políticos de partidos com os quais não se tenha afinidade.



Fonte: Daniel Oliveira da Paixão
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