Daniel Paixão
Daniel Paixão

Coluna

Papudiskina

Papudiskina de 03 de maio de 2019

Papudiskina de 03 de maio de 2019
Publicado em: 03 de Maio de 2019

A CRISE NA VENEZUELA E A PRECIPITAÇÃO DE JUAN GUAIDÓ - A situação na Venezuela é muito complexa. A inflação galopante fez com que a economia entrasse em colapso. O salário mínimo no país em 2018 subiu para o equivalente a 125 reais por mês e mesmo assim os empresários se queixaram de que, se pagassem esse valor, iriam à falência. Acontece que um único quilo de arroz no país chega a custar 15 reais em algumas regiões.  A pobreza e a fome se espalha por todos os rincões do país e nessa situação, são poucos os cidadãos que se mantém fiéis ao presidente Nicolás Maduro, eleito em um processo eleitoral eivado de fraude.
Mesmo assim, com tanta miséria, não está nada fácil para a oposição do país destituir o presidente. Não adianta um processo de impeachment ser instalado, ainda que fosse aprovado facilmente pela Assembleia Nacional Constituinte. Essa assembléia não é reconhecida pela Justiça do País. Ao longo do tempo em que esteve no poder, o PSUV, partido que governa o país, aparelhou completamente as instituições.  Na Venezuela os organismos nacionais foram todos cooptados pelo poder governante.
O presidente da Assembleia Nacional do país, Juan Guadó, decidiu no início do ano uma postura ousada ao se declarar presidente encarregado já que o outro que está no poder não foi eleito legitimamente. Guaidó obteve apoio de vários países do mundo, entre eles o Brasil e Estados Unidos, mas o usurpador, Nicolas Maduro, também conta com aliados importantes, entre os quais a Rússia e a China, o que não é pouco. Mas no continente americano, o ditador venezuelano conta com respaldo direto apenas de Cuba, Nicarágua e Bolívia, além de um apoio discreto dos mexicanos e uruguaios.
Apesar de pressionar o poder com protestos nas ruas, Guaidó só irá obter êxito no dia em que puder contar com o apoio da maioria das forças armadas. Não se sabe se, e quando, ele conseguirá esse apoio. O anúncio, porém, do dia 30 de abril talvez tenha sido precipitado. Ele conseguiu respaldo de alguns poucos setores das forças armadas e já partiu para o confronto direto, alegando ter apoio suficiente para uma insurreição. Ele se precipitou. A verdade é que tem de deixar o ditador se enforcar um pouco mais nessa crise em que se submeteu. Tem que deixar o país sangrar um pouco para que a situação se torne insustentável e não reste ao alto comando das forças armadas outra medida que não se colocar ao lado da população.
O atropelo do dia 30/04 serviu apenas para mostrar uma coisa. Ambos os lados perceberam que não são fortes quanto supunham ser. A oposição percebe que ainda está longe de conseguir a derrubada do usurpador. Já o ditador também começa a se estremecer e a perceber que o apoio que julgava quase unânime entre os militares começa a dar sinais de que pode não ser tão firme assim.
O certo é que Nicolás Maduro ainda detém o comando das forças armadas. Também conta com respaldo de forças externas, principalmente da Rússia e de Cuba. Mas o apoio da nação caribenha não conta muito, a não ser no plano interno, já que existem cubanos treinando as milícias pró-Maduro.  Em alguns momentos a China também demonstra algum apoio aos venezuelanos, mas de forma mais discreta.

ENTREVISTADO DENTRO DA CADEIA, LULA ADMITE TER COMETIDO DESVIOS ÉTICOS, MAS DIZ ACREDITAR EM ABSOLVIÇÃO. - No final da semana passada, Lula deu uma entrevista ao Jornal Folha de São Paulo e na oportunidade admitiu ter cometido erros ao ir ao sítio de Atibaia, reformado pela Odebrecht. Ele, contudo, alega que cometeu apenas desvio ético. O sítio, insiste , é de um amigo seu e ele só aceitou a oferta de morar no local.
Perguntado a respeito do que passou por sua cabeça quando estava sendo preso, Lula disse que sempre teve a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, iria parar na cadeia.
Mesmo condenado em duas instâncias e tendo já perdido em turma da terceira instância, Lula insiste que é inocente e diz que sua obsessão é provar que o Ministério Público, o Juiz Sérgio Moro, o TRF-4 e o STJ estão errados. Ele até ironizou os desembargadores do TRF-4, a quem acusou de voto combinado. "Nem precisariam os três votar. Bastaria que só um tivesse lido e os outros dissessem. Olha, aqui todo mundo vota igual".
Embora Lula também tenha sido condenado em razão de ter aceitado morar no sítio, ele não está preso por essa sentença. Talvez por isso seja fácil ele admitir ter cometido desvios éticos. Mas ele está preso em razão do apartamento no Guarujá, o Triplex. Lá, também uma empreiteira reformou o prédio, mobiliou a cozinha, etc, porque sabia que o beneficiário seria o Lula..
Mesmo preso, a esperteza do Lula serviu ao menos para a sua narrativa de que é um preso político. Ele insiste em dizer que só poderiam condená-lo se o sítio estivesse no nome dele, o triplex estivesse no nome dele, etc. A Justiça, porém, não pensou assim. Lula foi condenado em razão do que consta nos autos. São páginas e mais páginas de depoimentos, documentos arrolados e outras provas que o ligam ao propinoduto das estatais.



Fonte: Daniel Oliveira da Paixão
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