Daniel Paixão
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Papudiskina

Papudiskina - 20 de setembro de 2019

Papudiskina - 20 de setembro de 2019
Publicado em: 20 de Setembro de 2019

COMO OS CACOALENSES SE PREPARAM PARA AS ELEIÇÕES EM 2020 - Muitas personalidades de Cacoal já se movimentam visando as eleições para prefeito e vereadores em 2020. Nesse ano teremos uma novidade, que afetará principalmente a vida de quem pretende disputar uma vaga para a Câmara de Vereadores. É que nas próximas eleições não haverá mais a coligação de partidos para eleições proporcionais (para deputados e vereadores). A proibição impede que partidos formem coligações para disputar vagas nas Câmaras Municipais.
Com o fim das coligações, os partidos devem apresentar chapas completas ou com maior número possível de candidatos a vereador. No caso de Cacoal, por exemplo, a previsão é de que alguns partidos com menor número de filiados deixem de existir e aqueles que atualmente têm mais filiados devem aumentar o número de filiações. Entretanto, nos últimos meses o que se tem visto é que poucas pessoas tem manifestado interesse em se filiar a algum partido político e a movimentação dos partidos em adquirir novos filiados também parece pequena. A busca por filiados deve se intensificar a partir deste fim de ano.
A princípio, continuam valendo as regras para número máximo de candidatos a vereador, ou seja, o número de vagas em disputa mais 50%. Para Cacoal, este cálculo representa a possibilidade de cada partido registrar 18 candidatos à Câmara Municipal, destacando que, no mínimo, 30% destas candidaturas devem ser preenchidas segundo o que prevê a cota de gênero (masculino ou feminino).
A participação feminina, aliás, é um dos grandes problemas enfrentados pelos partidos, o que tem feito com que, em várias eleições, a população tenha se deparado com candidatas escolhidas apenas para cumprir a cota (muitas com menos de uma dúzia de votos). É preciso uma campanha maciça chamando às mulheres para que se engajem também na vida política do país. Aqui em Cacoal, por exemplo, temos 11 vereadores e apenas uma vereadora.

ENTÃO, COMO SERÁ A ESCOLHA? APENAS OS MAIS VOTADOS SERÃO OS ELEITOS? - Em princípio, com as mudanças, as aumentam as chances de apenas os candidatos mais bem votados, no cômputo geral, serem os eleitos. Entretanto, ainda poderemos ter casos de que alguém com menos votos se eleja por um partido, deixando candidatos com mais votos em outro partido apenas na suplência. Isso ainda ocorre porque os eleitos não serão objetivamente os 12 mais bem votados em Cacoal. Ainda vamos ter o quociente eleitoral e partidário. Assim, um determinado partido pode eleger dois ou três vereadores, enquanto alguns poderão eleger apenas um ou nenhum. 
Se o partido A fizer 3 vereadores e o Partido B fizer apenas um vereador, pode ser que o terceiro eleito pelo partido A tenha menos votos do que o segundo mais bem votado do partido B. Pode acontecer também de um partido não eleger ninguém, embora um dos mais bem votados dentre seus candidatos tenha mais votos do que um dos eleitos daquele partido que fizer um número razoável de eleitos. A maior mudança, contudo, tem a ver com o fortalecimento ideológico. Um candidato bem votado, de um partido conservador, vai puxar outros eleitos do mesmo espectro político e não alguém completamente alheio à ideologia como acontecia até a eleição passada. Em 2016, tivemos alianças estranhas, como por exemplo, PSDB e PCdoB, ou PSDB e PT. Em 2020 isso não será mais possível.

TEREMOS VEREADOR ELEITO COM 500 VOTOS EM CACOAL? - Com o fim das alianças, a tendência é que não tenhamos diferença tão grande entre os eleitos em Cacoal. Nas eleições de 2016, por exemplo, tivemos candidatos com 800 votos que ficou de fora, enquanto tivemos candidato eleito com apenas 500 votos. Embora esse cenário possa se repetir, as chances de isso acontecer ficam muito menores, já que não teremos mega alianças de quatro, cinco, seis ou mais partidos. Cada partido vai ter de disputar as eleições individualmente. Vai aumentar também a confusão na hora de escolher candidatas. Agora cada partido vai ter de se virar sozinho para encontrar mulheres dispostas a disputar uma eleição. 

CONSERVADORES, PROGRESSISTAS E LIBERAIS EM SEU CANTO - O objetivo das novas regras é o fortalecimento dos partidos políticos e se evitar que puxadores de votos puxem candidatos muitas vezes de partidos que nada tinham a ver com o perfil de escolha do eleitor. É que, no Brasil, quando as coligações para as eleições proporcionais foram permitidas não se vislumbrava o alinhamento político e ideológico. Qualquer partido, fosse ele de espectro ideológico fosse, poderia firmar coligações. Assim, era possível coligações esdrúxulas reunindo partidos de esquerda e de direita. Gente que fora da campanha se engalfinhava em agudos debates, durante a campanha participava de alianças políticas prá lá de esquisitas. O objetivo dessas alianças, claro, era permitir a eleição do maior número de candidatos daquela aliança, sem levar em conta os interesses dos eleitores.
Em alguns municípios, por exemplo, um eleitor completamente avesso a determinada ideologia, que detestasse determinado partido, acabava com o seu voto elegendo alguém cujo partido nada tinha a ver com o seu ideal político. É que nessas alianças, um candidato bem votado, que fosse de determinada ideologia, puxaria outros candidatos, muitas vezes com muito menos votos do que outros candidatos em outras coligações. Assim, alguém poderia votar em um candidato de direita e seu voto ajudasse a eleger alguém de esquerda, ou alguém que fosse de esquerda, com o seu voto, acabaria beneficiando um candidato de direita.
Com as novas mudanças, esse risco diminui. Agora, eleitor de esquerda vai escolher exatamente um partido de esquerda e eleger membros daquele partido e quem for de direita também vai votar em partido de direita.
Claro que temos gente que se filia em um partido sem muito compromisso ideológico, mas pelo menos esse risco diminui. Afinal de contas, é pouco provável que um político conservador iria se filiar, por exemplo, ao PT ou PCdoB.  Por outro lado, dificilmente um político aliando com propostas socialistas iria se filiar a partidos como o PSDB, o PSL ou o DEM, por exemplo.



Fonte: Daniel Oliveira da Paixão
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