Daniel Paixão
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COLUNA PAPUDISKINA - Irã x EUA

Papudiskina, por DANIEL OLIVEIRA DA PAIXÃO
Publicado em: 10 de Janeiro de 2020

Irã x EUA: Trump é mais esperto do que  alguns supõem e só quis botar medo nos persas. - Na sexta-feira passada, os Estados Unidos só precisaram de um drone para alvejar e matar o poderoso general iraniano Qassem Soleimani. Os aliados dos Estados Unidos entendem que aquele país tem todo o direito de agir para repelir agentes perigosos que colocam em risco a segurança de seus soldados e cidadãos. Já uma parte das nações, especialmente aquelas alinhadas Rússia e China, afirmam que Trump agiu como um criminoso.
Em meio a essas nações, está o nosso Brasil, um país de tradição pacífica, mas que, nesse caso, emitiu uma nota em que deixa claro, ainda que implicitamente, que apoiou a decisão do governo norte americano. Mais uma vez o presidente Jair Bolsonaro arrumou uma polêmica e virou alvo dos esquerdistas aqui de nosso país que não se cansam se achar um motivo, dia após dia, para fustigá-lo.
Embora o Irã tenha sido um importante comprador de produtos brasileiros, não creio que as declarações de nosso presidente sejam suficientes para abalar completamente as relações comerciais entre os dois países. As arestas podem ser aparadas. Acredito que os esquerdistas, especialmente os políticos ligados ao PT, estão fazendo um drama exagerado.
O problema da esquerda é que ela tem uma visão míope. As lideranças de partidos como PT, PCdoB, PSOL e Rede, entre outros, se esquecem de que sob o governo Lula e Dilma, o Brasil também tinha um lado a escolher no cenário internacional. O PT, não é segredo para ninguém, sempre esteve alinhado ideologicamente com países como Irã, Rússia, China e dezenas de outras nações hostis às nações civilizadas do ocidente. Aí fica explicita imbecilidade líderes esquerdistas. Se é verdade que o Brasil tem muito a perder, se alinhando com Estados Unidos, Europa, Austrália, Canadá e Israel, também é verdade que corria sérios riscos de perder parceiros importantes sob os governos do PT.
O mundo, senhores, vai estar sempre dividido, com as nações de menor poder de persuasão, alinhando-se aos grandes atores da política e os senhores da guerra internacional. Claro que existe a opção de neutralidade absoluta, mas ainda assim o país seria visto como um anão diplomático. Os grandes atores globais, como Rússia, China e Estados Unidos, vão sempre preferir aqueles que tenham lado, que ousam.
Nesta semana, não apenas o Brasil, mas o mundo todo ficou em compasso de espera, pois com a morte de Soleimani, o Irã prometeu retaliar os Estados Unidos. O que o mundo todo ficou a se perguntar era se aquela nação do Oriente Médio teria mesmo coragem de afrontar o exército mais poderoso da terra. Todo mundo sabe que Irã não é páreo nem mesmo para um outro de seus inimigos históricos, o minúsculo estado de Israel. O medo de todo o mundo, porém, seria do envolvimento de Rússia e Estados Unidos no conflito. Claro que nesse caso, teríamos a terceira guerra mundial, pois a Europa e Israel seriam parceiros importantes dos Estados Unidos.
Todo o mundo perderia com uma guerra mundial. Vidas seriam perdidas. Só não dá para saber se Rússia e China iriam mesmo arriscar sua economia e estabilidade, envolvendo-se em um conflito apenas para salvar os provocativos iranianos. O Irã, ao que tudo indica, também sabe que tem muito a perder com uma guerra aberta. Sabe que se cumprisse sua tola promessa de atacar Israel apenas por esse país se aliado dos americanos lhe traria graves consequências.
Como o mundo bem sabe, sempre que se metem em um conflito internacional, para defender seus interesses, os Estados Unidos costumam não usar nem 5% de seu poderio militar. Em caso de um conflito com os iranianos, (sem o envolvimento de Rússia e China), os Estados Unidos provavelmente fariam ataques cirúrgicos, atacando pontos estratégicos. Com Israel, a história seria outra. Se Irã cumprisse sua prometa de atacar Haifa ou Tel-Aviv, o estado judeu partiria com força máxima contra o território persa. A aviação israelense seria destruidora. É muito provável que as Forças de Defesa de Israel colocassem em risco a própria vida do presidente iraniano e principalmente do líder supremo que é quem manda no Irã, o ayatolá Ali Khamenei. Essas autoridades sabem a insanidade e os riscos que seria atacar Israel. Os líderes iranianos são bons de provocação e costumam mobilizar sua gente para queimar bandeiras de Estados Unidos e de Israel e de bramar “Morte aos Estados Unidos, Morte aos Sionistas”, mas no fundo eles apenas usam o povo. 
A tímida resposta do Irã teve o objetivo apenas de dar uma resposta às massas para dizer que revidarem e vingaram-se da morte de seu general. Ainda é cedo para sabermos os estragos que eles causaram, mas segundo o líder dos Estados Unidos, Irã apenas brincou de fazer guerra. Seus mísseis não mataram ninguém. Se isso for verdade, fica claro que foram orientados por russos para ataques em áreas onde não haviam soldados a fim de evitar a fúria dos Estados Unidos.
Os russos devem ter dito para os iranianos que reconheciam a dor e o orgulho ferido deles, mas devem ter assegurado também que deveriam dar uma resposta apenas singela. É claro que a Rússia é uma potência militar, mas ainda assim muito inferior aos Estados Unidos. O medo do mundo inteiro não é de que chineses e russos pudessem ameaçar os americanos em uma guerra convencional. Isso nunca. O medo é que essas duas nações possuem bombas nucleares, assim como os Estados Unidos. O acirramento do conflito poderia levar alguém a querer fugir do convencional e aí, sim, toda a humanidade correria sérios riscos.
Felizmente Trump parece ter mais juízo do que o mundo pensa. Ele, às vezes, é considerado alguém que não é muito inteligente e que toma medidas absurdas. Sim, ele costuma desafiar opositores via redes sociais, mas na hora de tomar decisões sérias, age com o cérebro. Não fosse assim, a essa hora talvez o Irã estivesse ardendo em fogo e o mundo sob o risco de um conflito global caso russos e chineses fossem ousados o bastante para tomar as dores da nação persa.

 



Fonte: Daniel Oliveira da Paixão
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