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FAKE NEWS OU TRAIÇÃO, DEPUTADA JOICE HASSELMANN? COLUNA PAPUDISKINA

POR DANIEL OLIVEIRA DA PAIXÃO
Publicado em: 06 de Dezembro de 2019

Fake News ou traição, deputada Joice Hasselmann? - Finalmente Joice Hasselmann (PSL-SP) compareceu à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para falar sobre as tais milícias virtuais que ela diz serem comandadas pelo estafe do governo. Apesar de estar listada para falar sobre Fake News, ela própria está envolvida no cometimento desses crimes, caso passe a considerar opiniões e antecipações de notícias como tal. Hoje, nas redes sociais, milhares de brasileiros (talvez milhões) chamem a ex-líder do governo de traidora. Onde está a Fake News nessa afirmação? Não seria isso mera opinião, com bastante embasamento? Afinal de contas, Joice Hasselmann só foi eleita por defender pautas conservadoras, as mesmas defendidas por Bolsonaro. Durante a sessão da CPMI desta quarta-feira, ela falou sobre o efeito manada, esquecendo-se de que foi eleita por esse tipo de efeito. Eleitores de Bolsonaro, que se deleitavam com as falas dela, votaram em Bolsonaro e nela. Sem Bolsonaro, muito dificilmente Joice teria sido eleita. Portanto, ela pode e será chamada sim de traidora nas redes sociais.

Mas afinal de contas, o que é Fake News? - Apesar de parecer recente, o termo fake news, ou notícia falsa, em português, é mais antigo do que aparenta. Segundo o dicionário Merriam-Webster, essa expressão é usada desde o final do século XIX. O termo é em inglês, mas se tornou popular em todo o mundo para denominar informações falsas que são publicadas, principalmente, em redes sociais.
A disseminação de mentira, portanto, existe desde a antiguidade, mas no mundo moderno, com o advento das redes sociais, uma informação, falsa ou não, se espalha em questão de segundos mundo a fora. Nem a Joice, nem ninguém, consegue controlar esse fenômeno.
A propagação do termo Fake News serviu também para políticos inescrupulosos se escorarem nessa tese para tentarem desmentir e desqualificar quaisquer informações que sejam ditas sobre eles, mesma que verdadeiras. Um líder mundial que usa bastante esse subterfúgio é o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Sempre que dizem uma informação sobre ele que o incomoda, ele dispara logo a desculpa de que é Fake News.
Ouvi parte do vídeo de Joice Hasselmann nesta quarta-feira e me surpreendi com o esforço que ela faz, apoiando-se em informações de TI, para convencer o Brasil de que as tais milícias virtuais e o tal “gabinete do ódio” existem e que são comandadas por gente diretamente ligadas ao presidente.
Eu penso que em vez de gastarem tempo e dinheiro para essa tal CPMI, ao meu ver inócua, os parlamentares deveriam utilizar o seu tempo para trabalhar pelo país. Qual o resultado dessa comissão além de bate-boca, acusações entre pessoas que antes eram amigas e agora traem umas às outras apenas em busca de holofotes? 
Joice deveria saber muito bem que o exercício da liberdade de expressão não pode ser considerado Fake News. Opiniões que são dadas, no âmbito pessoal e propagadas nas redes sociais, não são necessariamente informações falsas. Um exemplo: por tudo que faz agora, milhões de brasileiros consideram a deputada Joice como uma traidora. Onde está a mentira nisso? Trata-se de opiniões – e bem consistentes, obviamente.
Joice elegeu-se pela onda Bolsonaro. Claro que ela se esforçou para ser vista pelos eleitores como alguém afinada com o então candidato a presidente pelo PSL. Daí a razão de seus ex-eleitores estarem agora indignados.
A própria Joice foi acusada por opositores, durante a campanha, de propagar Fake News durante a campanha naquela história do grupo de mídia que dispunha de 600 milhões de reais para comprar o apoio de jornais, sites e revistas para que Bolsonaro não fosse eleito. Em minha opinião, ela não mentiu, mas teve acesso a uma informação privilegiada antes que o ato se tornasse realidade. Obviamente, como o plano foi exposto, ele foi abortado pelo menos em parte e não se concretizou. 
Agora a Joice especula sobre as milícias virtuais, mas o que existe são propagações de opiniões pelas redes sociais que a desagradam e por isso ela parte para esse ataque. A teia de informações na internet é vasta. Tem mentiras, tem verdades, mas nem tudo o que rola é uma orquestração dolosa. Eleitores indignados propagam suas opiniões contra esse ou aquele político. Algumas dessas informações tem lastros em decisões judiciais.
Se Fake News é tudo aquilo que é divulgado e que não se chegue a uma conclusão cristalina, então o Ministério Público e o Poder Judiciário também cometem Fake News no exercício de suas funções? Esses órgãos precisam agir, sempre que há informações de crimes, mesmo que ainda não haja provas concretas. Afinal de contas, só se chegará ao resultado, se houver investigação. Nada pode ser provado ou descartado sem uma exímia e correta investigação.
O MP e o Judiciário, obviamente, não age com base em Fake News, mas em informações, que só depois de analisadas e depuradas, serão classificadas como fundadas ou infundadas.
A participação de Joice Hasselmann nessa CPMI reforça o argumento dos que a consideram como uma traidora nata. Estou ansioso para vê-la como candidata a prefeita de São Paulo nas próximas eleições. Vamos ver se ela continuará essa campeã de votos depois que deixar de contar com o apoio dos bolsonaristas. É certo que agora ela atrai certa simpatia entre os esquerdistas, que se deleitam com o fato de ela ter rompido com o presidente, mas será que essa gente se tornará eleitora de Joice? A esquerda já tem os seus políticos de estimação. Joice, a traidora, não está entre eles.

 



Fonte: Daniel Oliveira da Paixão
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