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Natal com neve, sol ou chuva?

22/12/2017
Publicado em: 22 de Dezembro de 2017

Por essa época, a imaginação das pessoas voa para longe. Quando era pequeno, minha doce mãe cobria uns galhos de árvore com algodão, para imitar a neve em nossa árvore de natal. Nela colocávamos bolas, pisca pisca e os presentes que meu pai comprava. Estava bem bronzeado pelo maravilhoso sol das praias pernambucanas, curtindo esses feriados de final de ano. Para mim, não havia outro tipo de natal.
Anos depois, quando lecionei na Ucrânia, vi a neve cair e os pinheiros – únicos ainda verdes – se vestirem de branco. Na universidade em Kiev, não pude falar de pisca pisca porque o som dessas palavras lembrava aos ucranianos o órgão reprodutor masculino. Imagine que enfeites estranhos! Estava bem agasalhado, curtindo aqueles feriados de fim de ano, embranquecido naqueles vinte e cinco graus negativos. Esse foi meu segundo tipo de natal.
No primeiro final de ano em Rondônia, vivi o tipo de natal que faltava: muita chuva. Para meus filhos brincarem, fiz uns barquinhos de papel que a correnteza da calha levava rapidamente, de tanta água que caía dos telhados. Estava com guarda-chuvas e capas, curtindo o temporal da floresta amazônica. Sentia um misto de saudade do sol e da neve, com a decepção de não estar com a pele bronzeada nem elegantemente vestido com sobretudo e ushanka.
Entretanto, descobri que meus cinquenta e cinco natais não foram diferentes. Aprendi que a essência é mais importante que os entornos. Por mais que a propaganda insista com a embalagem e tente nos seduzir com emoções circundantes, o que importa é o conteúdo. É triste ainda ouvir adultos ensinando às criancinhas que Papai Noel existe. Por que não dizem que Saci Pererê é quem traz os presentes voando numa carroça puxada por jumentos! É decepcionante ainda escutar adultos falando de magia do natal. Por que não espalham que nesse tempo a Bruxa do 71 enfeitiça todo mundo (principalmente Seu Madruga)...
O natal tem realmente valor quando nos lembramos daquele hebreuzinho pobre, filho do Zé Carpinteiro e de Dona Maria. Esse menininho nasceu com a missão de nadar contra a correnteza dos poderosos, ensinando humildade e simplicidade. Veio substituir o egoísmo e a egolatria pela solidariedade e o companheirismo. Chegou nesse mundo para dizer em poucas e claras palavras o que o Eterno Deus deseja da raça humana. Não fundou nenhuma religião. Não deixou nenhum livro escrito. Não se sabe nem a data exata do nascimento dele. Mas, pacificamente, Jesus deu-se a si mesmo numa cruz para que tivéssemos vida abundante.
O sol é escondido pelas nuvens. A neve derrete e dá as boas-vindas à primavera. Toda chuva passa. Não importa o lugar onde se está, tampouco o clima que nos cerca. Seja dentro de um submarino; no meio da floresta; na estação espacial; em Moscou, Luanda, São Francisco ou no Tibete esta é a época de refazer-se, remodelar-se e reafirmar-se – como um barro que continua sendo barro, porém disposto a ser útil outra vez, a si mesmo e aos outros, sem perder a essência chamada Amor. Isso é viver abundantemente. Isso é o verdadeiro Natal!
 
* Moisés Selva Santiago, Analista de Correios - Comunicação Social - Jornalista / Superintendência Estadual de Operações - Rondônia / moisessantiago@correios.com.br
 


Fonte: Moisés Selva Santiago
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