Envelhecimento da população desenha uma nova geopolítica

e explica os conflitos atuais no planeta
Publicado em: 29 de Novembro de 2019

A guerra comercial entre Estados Unidos e China, os conflitos nas ruas do Chile, a desigualdade social crescente em quase todo o planeta, o fluxo migratório global, a desindustrialização brasileira, as mudanças climáticas e a chamada 4ª revolução industrial. Qual fenômeno percorre todos esses eventos e os influencia? O envelhecimento populacional. A dinâmica demográfica, inédita na história do capitalismo, está construindo uma nova geopolítica. Essa é a tese principal do livro “Economia da Longevidade – o envelhecimento populacional muito além da previdência”, do jornalista e professor da Universidade de São Paulo, Jorge Félix, um dos maiores especialistas do tema no país. O livro é um dos primeiros publicados pela nova 106 Editora, em seu segmento “Ideias”, destinado a ensaios.
Nessa nova geopolítica, segundo o autor, o que está em discussão não é o fato de o Brasil envelhecer antes de ficar rico, como sempre é exaustivamente repetido no debate público, mas sim, em qual economia os países ricos envelheceram e em qual economia os países pobres estão envelhecendo. A concorrência global se transforma, para Félix, em uma “corrida populacional”, assim como o mundo assistiu, no passado, as corridas do ouro ou a armamentista. Agora, pela primeira vez na história, está em disputa “quem vai pagar pelo envelhecimento de quem” e a economia e a política sofrem esses efeitos perenes da demografia. De acordo com Félix, a corrida populacional é uma das ameaças contemporâneas para a democracia.
“A economia capitalista demorou muito para aceitar a infância e, agora, se vê diante da velhice, que ela também nunca aceitou”, diz Félix. “A longevidade, portanto, é uma grande vitória da Modernidade, mas se tornou um fator perturbador do capitalismo”, sentencia. As transformações sociais decorrentes da dinâmica demográfica do século XXI colocam países pobres e países ricos em uma disputa ainda mais acirrada. “O Brasil está atrasado nessa corrida, principalmente devido à desindustrialização precoce”, afirma o autor. Inovação, pesquisa, desenvolvimento, industrialização no segmento de produtos e serviços especificamente para o envelhecimento tornam-se, portanto, o ringue dessa guerra. É a economia da longevidade, tema que Félix introduziu no debate brasileiro, em 2007, e é a principal autoridade no país, inclusive, reconhecido internacionalmente por seu trabalho na área.
Doutor em Ciências Sociais, professor de Economia no curso de Gerontologia da Universidade de São Paulo (Escola de Artes, Ciências e Humanidades), e comentarista de longevidade no Bem-Estar, na Rede Globo, Félix é um dos palestrantes mais atuantes na área do envelhecimento e sempre presente nas discussões sobre o tema na mídia nacional. Uma de suas principais críticas é ao modelo de privatização da previdência do Chile, sobre o qual tem muitos artigos publicados e conferiu palestras em eventos sempre alertando para o que hoje está sendo verificado: o risco de convulsão social naquele país. “O Chile foi um fracasso anunciado. Muitos no mundo acreditaram que o caminho escolhido por Pinochet levaria o país à vitória na corrida populacional, mas agora deve ficar bem atrás e perder espaço na geopolítica do envelhecimento”, diz o autor. O caso do Chile também é abordado no livro.
Sobre o autor: Jorge Felix  é Doutor em Ciências Sociais e mestre em Economia Política (PUC-SP). É professor das disciplinas Economia e Finanças em Gerontologia, Empreendedorismo em Gerontologia e Epidemiologia do Envelhecimento no curso de graduação em Gerontologia da Universidade de São Paulo



Fonte: Jorge Felix
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