Memórias de Ana...
Memórias de Ana Carolina

Coluna

Carolina

Dor Alheia

28/09/2018
Publicado em: 28 de Setembro de 2018

Dói até quando estão felizes, dói serenamente, sem parar. Como se alguns nascessem mesmo para lamentar, e não para curar. Como se tivessem nascido crus, poços de lágrimas, imensidões de sofrimento. Não há prazer nisso, porém não querem um contentamento pouco. Se não for para serem prioridade, reconfortam-se no amor próprio. Entretenimento não é o que procuram, (nenhuma vez procurei). Se não é dor, é desconforto. É ansiedade e carência. Aqueles que nascem para padecer são os que acabam se isolando da vida por medo. Se isolam por ausência de alguém que entenda – ninguém entende de fato – e a angústia consegue se encaixar em todos os espaços vazios. Não me perguntarei mais o porquê dessa sina, já a aceitei. Posso conviver com isso. Levo, empurro. Faço o que dá. Me esforço, falo coisas bonitas, sou toda ouvidos. Nunca chega. Eu a espero e a compaixão não chega. Desisto de recebe-la. Nasci para sofrer. Sou dos que nasceram para sofrer. Não me pergunte. Não vejo a felicidade por aí. O choro acontece sempre. É isso.

 



Fonte: Ana Carolina Memória
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade

Mais de Memórias de Ana Carolina