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Coluna do Xavier de 18 de outubro de 2019

CACOAL: A CÂMARA, AS LEIS E O AMOR...
Publicado em: 18 de Outubro de 2019

A política tem alguns fenômenos que realmente merecem muita reflexão e que, muitas vezes, não conseguimos entender. Claro que todo mundo que vive em Cacoal e acompanha os acontecimentos políticos sabe que uma das maiores marcas do nosso legislativo mirim é protagonizar lambanças. Isto já virou rotina! Já houve guerra de café, culto nas sessões ordinárias, vereador chamando o outro para porrada e tudo mais. Porém, em relação à nossa Casa de Leis, enquanto a composição for essa, nenhuma pessoa poderá dizer que já viu de tudo no cenário político. Claro que há as justas exceções e isto precisa ser registrado, para evitar a injustiça. Entretanto, esta semana a lambança foi generalizada e os nossos edis precisam refletir sobre os fatos. A votação do orçamento e o projeto de lei que cria o “Feriadão Feminista” são coisas que ninguém vai ver em outra Casa de Leis minimamente séria...
Antes de falar do âmago destas proposições, quero aludir a Machado de Assis, em uma obra fantástica que ele publicou no fim do século XIX, denominada “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Obviamente que nossos eminentes edis não possuem a versatilidade e polidez machadiana, mas falar de amor até a Anitta fala em suas“ excrementíssimas obras poéticas”. Assim, na citada obra, Machado de Assis fala do amor de Marcela, uma prostituta, por Brás Cubas, o homônimo protagonista. Ao citar o amor que Marcela nutria por Brás Cubas, Machado de Assis faz o seguinte registro da fala da personagem: “... Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos...” Partindo desta notória história de amor, metaforicamente falando, pode-se dizer que o amor de nossos vereadores e vereadora pela “Capital do Café” é muito parecido com o sentimento de Marcela, em relação a Brás Cubas; talvez a diferença resida no fato de que em nossa urbe a coisa é muito mais volátil...
Todas as segundas-feiras, a coisa mais comum na sessão da câmara é ouvir vereadores dizendo que amam a cidade, que amam o café, que amam o Anísio Serrão, que amam o produtor rural, quem amam a Nova Cassilândia e que amam as criancinhas e os peixes que irão nascer no rio Pirarara daqui mais mil anos... Boa parte do tempo regimental de nossos edis é dedicada ao amor pela cidade e para mandar abraços personalizados à fiel plateia. A sequência dos abraços é geralmente a mesma, por uma questão de lógica: algumas pessoas têm o hábito de frequentar as sessões e chegam a sentar nos mesmos lugares. As declarações de amor, ósculos e amplexos dão o tom dos discursos... Tudo papo furado!!!  Só Brás Cubas para acreditar!!! Esse amor pela cidade não se materializou na tramitação do orçamento. Entre as vítimas está uma das maiores inspirações das declarações de amor dos edis: a Agricultura, que teve o orçamento diminuído pelos vereadores em votação unânime. Se os vereadores não tivessem votado a favor do projeto de orçamento, a possibilidade de investimentos na agricultura seria menos prejudicada. As previsões do orçamento anterior eram muito melhores. Eu espero que os vereadores de Cacoal não tenham por mim o mesmo amor que eles revelaram pela agricultura, na última segunda-feira. Alguns chegaram a mentir nas redes sociais que não havia mais prazo para discutir o orçamento. Qualquer idiota sabe que não existe data fixa, nem mês fixo, para votar o orçamento...
Outro projeto em que ficou evidente a lambança foi a votação do projeto de lei que cria o feriado municipal “somente para mulheres” em Cacoal. A proposta aprovada por todos os vereadores foi que o primeiro domingo de março seja feriado municipal em Cacoal somente para as mulheres. O argumento menos protervo, durante a discussão da “matéria”, que se apresentou materializada de excremento, foi o de que era necessário ter um feriado em março, porque não há eventos no dia 08 de março em homenagem às mulheres. Nem o treinamento de fritar hambúrguer, como requisito para ser embaixador, chega a ser mais ridículo. Para citar um exemplo mais localizado, talvez este absurdo seja comparado somente à atitude deselegante do pessoal do PTB de Cacoal que realizou esta semana um encontro para eleger a nova diretoria e sequer enviou convite para os filiados.  Adair Perin, um dos militantes mais antigos desse partido no estado de Rondônia não aparece nas fotos e há quem diga que ele não foi convidado.  O Perin certamente não vai gostar da citação que faço, pelo carinho que ele nutre pela sigla, há décadas, mas, mesmo que ele não me autorize, está feito o registro. Numa linguagem de vereador cacoalense, eu diria que foi uma “puta sacanagem”. O Perin merece respeito!!!
Após a necessária e justa digressão, volto ao tema do feriadão feminista e afirmo, sem medo nenhum de “nota de repúdio”, que não conheço nenhuma mulher inteligente que defenda esse projeto. O projeto é inócuo, pela sua forma; inepto pela sua eficácia e nefelibata, pela sua ideologia. É óbvio que as mulheres merecem todo o nosso carinho e respeito, é lógico que as mulheres são importantes, mas as ilegalidades e a falta de senso do ridículo contidas no “projeto” são colossais. O curioso é ouvir a leitura do “parecer das comissões” e do “parecer jurídico”, afirmando que o projeto está em conformidade com a legislação em vigor. É claro que não está!!! Há um festival de ilegalidade em cada linha do texto e os caras falando besteiras... Como dona Glaucione Maria é graduada em Direito, espero que ela não sancione aquela porcaria, mas nunca devemos duvidar de nada na política da Nova Cassilândia...Tenho dito!!!

 



Fonte: FRANCISCO XAVIER GOMES Professor da Rede Estadual e Articuli
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