Francisco Xavier
Francisco Xavier

Coluna

Coluna do Xavier

CACOAL: OS PRONOMES, AS CONJUNÇÕES E A GLOTOLOGIA...

CACOAL: OS PRONOMES, AS CONJUNÇÕES E A GLOTOLOGIA...
Publicado em: 31 de Maio de 2019

A população de Cacoal tem discutido, com certa exaustão, sobre eventuais mudanças que precisam ser feitas na Câmara Municipal de Cacoal, quando os cacoalenses forem às urnas no próximo ano. Algumas pessoas, contudo, consideram muito cedo para abrir este tipo de debate, haja vista que, eventualmente, poderia haver outras prioridades. Não as há! Os fatos ocorridos este ano no plenário da Casa de Leis deixam claro que urge a necessidade de mudar algumas coisas. Enquanto o dia da eleição não chega, nossos edis poderiam contribuir, pelo menos, judiando pouco do nosso idioma. As tentativas de uso de algumas categorias gramaticais são trágicas e as maiores vítimas são os pronomes relativos e as conjunções...
A liturgia das sessões e do exercício do mandato, não há mais como cobrar dos vereadores, uma vez que eles não vão cumprir mesmo. O decoro, é muito provável que muitos não saibam nem o que significa, considerando que os atos e fatos registrados não deixam dúvidas sobre isto. Todavia, nossos edis deveriam fazer um esforço para aprender ao menos falar e judiar menos do nosso idioma. Obviamente há os que dirão não haver necessidade de falar, como já houve casos de edis cacoalenses afirmarem, em pronunciamentos, que têm honra da falta de escolaridade. Entretanto, o processo de comunicação exige daqueles que se propõem a defender a sociedade que saibam falar corretamente. Isto é determinante para exercer o mandato. Indubitavelmente, o clima de mediocridade que permeia o nosso legislativo está intrinsecamente ligado à falta de escolaridade. Há vários vereadores que não sabem ler; há vereadores que não sabem escrever; há vereadores que não sabem interpretar e há os que não sabem compreender. Aliás, interpretar e compreender são coisas muito diferentes. Embora haja também os que se esforçam, isto tudo compromete o processo legislativo...
Apenas para citar um exemplo consueto, o art. 167 do Regimento Interno da Câmara Municipal de Cacoal estabelece como funciona o sistema de apartes. Os vereadores não sabem usar. Um aparte deve durar até três minutos e não tem nada a ver com o tempo de fala do orador. Outro claro exemplo de total desconhecimento da norma é com relação às discussões de projetos. O art. 168, do mesmo diploma, estabelece que nas discussões deste tipo de matéria, o vereador tem direito a usara té 20 minutos para apresentar sua opinião sobre o projeto em pauta. O tempo de discussão de um projeto é o dobro do tempo de uso da tribuna, no Grande Expediente. Os vereadores não sabem disso. O tempo pelo qual um vereador pode usar a palavra para discutir um projeto não é determinado pelo presidente; é determinado por lei. Isso é uma coisa trivialíssima!
Além de não conhecerem as normas e a liturgia do mandato, muitos vereadores judiam em demasia da Língua Portuguesa. Coitadas das conjunções subordinadas!! Essas sofrem ataques em massa. Os pronomes relativos devem ter horror aos vereadores de Cacoal. A sintaxe, eles desconhecem tanto quanto o Regimento Interno. A Câmara de Cacoal é a única do Brasil na qual os membros introduziram um artigo antes do pronome de tratamento “Vossa Excelência”. Na realidade, é insólita a forma epicena como eles se tratam, porque os vocábulos epicenos possuem relação com outro universo da ciência, que nada tem a ver com o caso. Os vereadores precisam perceber que o terno e gravata que eles utilizam é adotado em função da liturgia, mesma razão pela qual deveriam usar a Língua Portuguesa corretamente. Comparecer às sessões de terno e gravata, e judiar do idioma pátrio, como ocorre, é a mesma coisa que ir a um casamento usando terno italiano, gravata suashish e o calção de treino do time de futebol do bairro onde residem os filósofos da honestidade. 
Os termos heteróclitos ou verborrágicos proferidos do púlpito representam a falta de preparo para discutir projetos de dois, três e até cinco milhões. Possivelmente esta é umas das razões pelas quais nossa edilidade é mais afeita aos debates sobre buracos, haja vista que pode parecer mais pertinente, até mesmo do ponto de vista da glossologia. Muitas pessoas já sabem que nosso legislativo, não consegue lidar com orquídeas, porém, caso eles não busquem melhorar a forma de tratar a Última Flor do Lácio, em pouco tempo teremos uma hecatombe glotológica no legislativo mirim da Capital do Café... Tenho dito!!!

FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor da Rede Estadual e Articulista



Fonte: FRANCISCO XAVIER GOMES - Professor da Rede Estadual
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade

Mais de Francisco Xavier