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CACOAL: AS ELEIÇÕES, OS CANDIDATOS E A ESCOLARIDADE...

Coluna do Xavier 26/01/2018
Publicado em: 26 de Janeiro de 2018

As eleições do mês de outubro, segundo vários analistas políticos de Rondônia, serão completamente diferentes de outros anos em virtude da vontade de mudança que está dentro de cada eleitor. Isto é apenas teoria! O povo é o mesmo, os eleitores são os mesmos, os partidos são os mesmos, muitos candidatos serão os mesmos e a Lei Eleitoral não apresentou nenhuma novidade. Por que as eleições seriam diferentes? 
A lógica da coisa sugere que nada vai mudar. Os pretensos  candidatos começaram a campanha, embora todo mundo  finja que nada está acontecendo e a legislação diz, cinicamente, que as propagandas devem começar em 16 de agosto. A lei é bonitinha, mas não funciona. Todo mundo sabe que as campanhas começaram faz tempo, só as pessoas inocentes é que não sabem. Apenas para citar um exemplo, esta semana, um dos vereadores de Cacoal anunciou nos bastidores  que vai colocar em funcionamento um serviço de atendimento odontológico "em parceria" com um deputado de Ariquemes. Ou seja, um deputado que ninguém em Cacoal sabia que existia agora vai atender o povo, às vésperas da eleição. A Lei Eleitoral pode até chamar isso de "ação social", mas o nome disso é campanha antecipada. 
Outra situação que sempre aconteceu, em todas as eleições, é que os partidos filiam um número infinito de indivíduos, sem nenhuma qualificação, e apresentam esses indivíduos como candidatos. Por que a eleição seria diferente, se essas práticas são tão antigas? Por que os partidos não cobram a escolaridade mínima dos candidatos, já que a Lei Eleitoral é omissa e hipócrita, neste caso também? E não vale esse papo furado de que cada segmento social precisa ter um deputado. Esse argumento é tão frágil que dentro da Assembleia Legislativa de Rondônia não tem veterinários, não tem  professores, não tem enfermeiros, não tem comerciários, não tem estudantes, não tem engenheiros. Isso só para citar algumas profissões... Conforme consta na lista de profissões reconhecidas pelo Mistério do Trabalho, existem no Brasil cerca de 2.558 profissões. Vê-se, portanto, que essa história de cada segmento ter um deputado é puro papo furado. O que a sociedade precisa é ter deputados com o preparo necessário e isso passa pela escolaridade. Quem diz outra coisa defende a má qualidade do legislativo. Há os que falam que eleger analfabetos é exercer a democracia. É a mesma democracia que coloca nos editais de concursos que o gari deve ter o ensino médio...
Antes que alguém venha com aquele papo furado de que a falta de formação não impede de defender a população, temos que pensar no seguinte: quem contrataria uma pessoa que estudou apenas o Ensino Fundamental para ser seu médico? Qual loja contrata uma secretária sem o Ensino Médio? Quem aceitaria fazer uma cirurgia de apendicite com um professor de matemática? A lógica é indiscutível! Um deputado sem escolaridade causa prejuízos irreparáveis, além de não servir para criar leis. Essa é a verdade! Já que a legislação não presta, o eleitor precisa fazer sua parte. Um vereador, um deputado, um senador não consegue elaborar leis sem ter escolaridade. É pedir demais exigir que um vereador tenha ao menos o Ensino Médio? É querer demais exigir formação universitária de um deputado? Sejamos sensatos!!! 
O eleitor dá discursos dizendo que é preciso investir na educação e vota em candidatos que moram ao lado de escolas, mas não estudam. E não estamos falando aqui do trabalhador rural. O trabalhador rural é completamente diferente. O trabalhador rural, muitas vezes, não teve oportunidade de estudar. É diferente de um político que fica 15 ou 20 anos no mandato e continua tendo apenas um Ensino Fundamental. Em Rondônia temos centenas de casos assim e isto precisa mudar. 
Os partidos precisam exigir escolaridade de seus candidatos, a legislação precisa exigir dos candidatos a mesma coisa que exige dos candidatos inscritos em concursos. O eleitor precisa exigir que seu candidato tenha escolaridade.
A ideia que defendo é que a escolaridade seja exigida para aqueles que ainda não estão no mandato e aqueles que já estão tenham que apresentar documentos que comprovem que estão estudando. Tenho certeza que os filósofos da honestidade irão concordar comigo, porque assim teremos condições de cobrar os eleitos tecnicamente. A quantidade de leis mal feitas em Cacoal e em Rondônia é absurda. Apenas para citar um exemplo, os professores que ficam doentes perdem o auxílio saúde e no período de férias perdem o auxílio transporte. Tudo isso aprovado pelos deputados de Rondônia. Não existe absurdo maior que isso!!!
Agora mesmo está em andamento na Câmara Municipal de Cacoal um concurso público. Para se inscrever para o cargo de Agente Administrativo, o candidato precisa ter o Ensino Médio e vai ter como chefe vários vereadores que não chegaram ao 8° ano do Ensino Fundamental. Alguns tolos, em defesa do analfabetismo, dirão que é preconceito cobrar escolaridade de quem se propõe a defender a sociedade. Poucos tempo atrás, dois ou três vereadores subiram à tribuna em Cacoal para dizer que tinham orgulho de não ter estudado. O curioso disso é todos os vereadores que deram esse tipo de discurso têm votado sistematicamente contra os interesses da sociedade cacoalense. E por que isso acontece? Porque eles não têm a formação adequada! Depois, o discriminador sou eu... Tenho dito!!!
 
FRANCISCO XAVIER GOMES 
Professor da Rede Estadual e Articulista
 


Fonte: FRANCISCO XAVIER GOMES - Professor da Rede Estadual
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