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CACOAL: A USINA, OS DISCURSOS E O PROSELITISMO INSTITUCIONAL...

Coluna do Xavier 02/02/2018
Publicado em: 02 de Fevereiro de 2018

O município de Cacoal, pelo fato de ser um município muito importante do estado, tem sido visitado, neste início do ano eleitoral, por muitos políticos. E esta rotina tende a se intensificar nos próximos meses, uma vez que os quase 65mil eleitores da Capital do Café interessam muito aos eventuais candidatos. Logicamente que os políticos com mandato estão entre os eventuais candidatos e eles fazem parte do grupo de visitantes eleitorais. Os discursos são emocionantes...
As pessoas que pregam mudanças e que falam de moralidade, de indignação, de ética na política e outros temas relacionados com os muitos valores que são buscados para depurar o sistema político brasileiro precisam mostrar que realmente falam a verdade. Os discursos vazios proferidos por políticos, muitas vezes, também são adotados por eleitores, mesmo aqueles que costumam colocar a culpa na plebe ignara, mas não percebem que fazem parte do sistema de toma-lá-dá-cá institucionalizado na política brasileira. Há, ainda, os que querem fazer pose e dizer que prestam serviços institucionais, mas que são esclarecidos e querem a mudança do país...
A omissão, os “prestadores de serviços institucionais” e a plebe ignara são produzidos na mesma usina. Algumas pessoas podem imaginar que a usina à qual me refiro é a tão famosa usina de asfalto prometida na campanha de 2016, em Cacoal. Não! Não mesmo! Eu juro que não... Estou falando da usina de produzir cabos eleitorais institucionais que se insurgem contra qualquer pessoa, quando alguém fala da tal usina de asfalto. Não é a plebe ignara que faz campanha para os maus políticos, não é a plebe ignara que elege os maus políticos. São os que se dizem formadores de opiniões. São os que se dizem lideranças, são os que se dizem esclarecidos, são os que se dizem da elite pensante, mas que pensam apenas no próprio umbigo. Para muitas dessas rêmoras eleitorais o coletivo não tem a menor importância, desde que seus interesses particulares sejam atendidos. A cidade pode ter buracos, lama, lixo nas ruas, escuridão e outras coisas. E quando alguém cobra, o argumento dos que praticam o proselitismo institucional é dizer que aqueles que reclamam estão contra a cidade, estão falando mal da cidade, torcem contra a cidade...
Pouco tempo atrás, quando o governador de Rondônia esteve em Cacoal, para prometer, mais uma vez, a usina da campanha, muita gente se juntou para comemorar. As comemorações aconteceram como se todos os buracos de Cacoal já estivessem tapados, numa comprovação clara de assimilação do discurso bonito e do proselitismo institucional. Alguns prosélitos chegaram a provocar as pessoas que têm os pés no chão, sugerindo que tais pessoas deveriam buscar um novo tema, pois o assunto da usina estava encerrado. Que maravilha! Após o assunto da usina ser enterrado nos incontáveis buracos das ruas de Cacoal, sugiro aos políticos de discurso fácil que visitem a cidade para dar outros discursos. Como forma de evitar reclamação de contribuintes relacionadas com a usina de asfalto, sugiro que os discursos sejam sobre a manutenção permanente do estádio, a construção da creche do Riozinho, a UTI neonatal do Hospital Materno Infantil, a revitalização das estruturas ociosas e outras pérolas... A plebe ignara vai amar!!
Outra situação muito curiosa acontece, quando alguns desses salvadores da pátria são introduzidos no município e apresentados à plebe ignara pelas instituições ou pessoas, sob a alegação de que são ungidos por Deus. Logicamente que, neste caso, Cacoal não é uma exceção. Os Eduardos Cunhas, Valdemares da Costa Netos, Valteres Araújos e outros ungidos estão em todos os estados e municípios do país. Há líderes eclesiásticos cuja finalidade nada tem a ver com pregar a “Palavra de Deus”, porque a atribuição principal é o envolvimento eleitoral e a busca de benefícios individuais. A “demanda” é tão grande que alguns partidos decidiram criar espaços ou diretorias para abrigar “lideranças” religiosas, como fez recentemente o MDB, partido de Michel Temer, Renan Calheiros, Geddel Vieira Lima, Romero Jucá e outros ungidos, porque certamente eles se preocupam muito com a formação religiosa da população brasileira...
Assim que possível, quero ter uma conversa com os dois filósofos da honestidade, para pedir a eles que me expliquem, com base na Filosofia, esse proselitismo institucional que acomete tantas pessoas cândidas e provoca uma inversão de valores imensurável no universo político rondoniense, estendendo-se até mesmo ao Polo Universitário Capital do Café, que em tese, deveria estar isento de tal situação, mas que possui uma incidência alarmante. Como o problema da usina de asfalto já está resolvido, esperamos que a força do Polo Universitário produza uma química suficiente para neutralizar a força da usina que fabrica prosélitos institucionais, para que possamos ter dias melhores, a fim de que possamos comemorar, assim que Cacoal for um octogenário... Tenho dito!!!
 
FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor da Rede Estadual e Articulista
 


Fonte: FRANCISCO XAVIER GOMES - Professor da Rede Estadual
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