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CACOAL: A POLÍTICA, OS POLÍTICOS E A MILITARIZAÇÃO DE ESCOLAS...

CACOAL: A POLÍTICA, OS POLÍTICOS E A MILITARIZAÇÃO DE ESCOLAS...
Publicado em: 12 de Julho de 2019

A educação brasileira tem sofrido, nos últimos anos, ou décadas, muitos problemas estruturais, em virtude da falta de estrutura oferecida pelos governos de todas as esferas aos profissionais que atuam no setor. Somados a esse problema, existem outros igualmente graves que, muitas vezes, são representados por políticos fajutos, despreparados e sem nenhuma noção do que devem dizer ou fazer sobre a educação. Atualmente, em Cacoal, o grande problema que ameaça o funcionamento da educação são alguns guachebas, travestidos de especialistas da educação, que debatem com outras pessoas, igualmente tolas e alheias ao setor, sobre o inútil e ineficaz “projeto” de Militarização das Escolas, medida elogiada apenas por quem nada entende de educação, ou por quem busca tirar proveito político, em detrimento da ciência...
Antes que algum desassisado tente distorcer as informações, a intenção aqui não é fazer nenhuma oposição à Polícia Militar de Rondônia, mesmo porque a PM faz um brilhante papel no setor de segurança pública do estado e os policiais militares não podem ser condenados por atos irresponsáveis de políticos hipócritas. Infelizmente, neste governo atual, não podemos esperar que nada muito animador aconteça, porque o atual governador não entende absolutamente nada de segurança, nem de educação, e nem busca conhecer os problemas. A maior prova disso é que ele foi chefe da SEJUS e nada fez para melhorar o setor. Além disso, nunca houve em Rondônia nenhum governo onde houvesse mais fugas em presídios estaduais como acontece atualmente. E tudo indica que nada vai mudar, porque não há nenhum projeto em andamento para melhorar a segurança, além de haver constantemente a colocação de policiais militares da ativa colocados em serviço que nada tem a ver com a proteção à população. As escolas militarizadas estão cheias de policiais, enquanto as ruas estão vazias e dominadas pelo crime.
Os problemas se avolumam, quando surgem na cidade políticos, ou arrivistas políticos, levantando a bandeira da militarização, sem ter nenhuma noção sobre como funciona. Isto envolve, vereadores, deputados, assessores, amigos de políticos e até mesmo professores, porque há dentro da categoria dos professores quem defende a ideia de militarizar as escolas. A militarização é um modelo de educação tão inadequado que não está previsto nem mesmo na legislação educacional do estado, porque as coisas aconteceram sempre por critérios políticos, eleitoreiros e à base de improvisos, com critérios que atendem apenas o ego daqueles que, mesmo sem entender de educação e mesmo sem nenhuma formação na área, imaginam que sabem a receita para melhorar o desempenho da educação. Nenhuma medida será eficaz, nem mesmo aquartelar alunos, sem que haja nas famílias a estrutura de educação que nosso país precisa. É claro que nem todas as famílias são desajustadas, mas praticamente todos os alunos vítimas das escolas militarizadas de Rondônia são pobres, não são filhos de políticos e possuem problemas em casa. 
As escolas militarizadas poderiam até ser a solução para alguns casos, se fossem instituídas a partir de estudos pedagógicos; e não eleitorais. No caso de Cacoal, para citar um exemplo, o governo deveria construir uma escola nova, com estrutura física e pedagógica para funcionar em regime militar e depois matricular os alunos cujas famílias tivessem interesse em colocar seus filhos nesse modelo de ensino. Militarizar os alunos que já existem nas escolas e impor a eles as vontades eleitorais de políticos asquerosos não é o caminho que uma Pedagogia decente recomenda. Claro que eu compreendo as pessoas e famílias que defendem esse modelo pregado por esses políticos, porque as pessoas não sabem o que significa. Uns defendem por inocência; outros por condições pecuniárias; outros por conivência; mas nenhum deles pela coerência. Eu não tenho nenhuma dúvida de que os dois filósofos da honestidade defendem as mesmas posições pedagógicas que eu, sobre este tema. 
Em Cacoal, já se ouve falar de um tal candidato a prefeito que prega, entre suas “propostas”, a militarização de escolas. Esse tipo de picaretagem deveria ser proibido pela legislação eleitoral, porque não passa de um ato de estelionato pedagógico. Muitas pessoas chegam a pensar que esse tipo de ideia tem alguma coisa de honestidade. A possibilidade de militarizar escolas deveria ser discutida por profissionais da área de educação e nunca por políticos inescrupulosos que nada entendem sobre o assunto. A ideia de militarizar uma escola como a escola Carlos Drummond de Andrade, em Cacaoal, é uma ideia absurda, desnecessária, eleitoreira e sem nenhum estudo científico que tenha indicado tal medida. Tanto é verdade que os filhos dos deputados, vereadores, assessores e outras pessoas que defendem essa tese jamais irão estudar na escola. E não irão por razões óbvias: esse modelo de escola não faz sentido em uma cidade como Cacoal. O curioso é que muitos desses senhores pregam a mudança, pregam o novo, pregam até mesmo a bíblia, mas continuam fazendo aquilo que todo político inescrupuloso faz: oferecer aos mais pobres aquilo que eles jamais querem para suas famílias... Tenho dito!!!

FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor da Rede Estadual e Articulista



Fonte: FRANCISCO XAVIER GOMES - Professor da Rede Estadual
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