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CACOAL: A POLÍTICA, OS MANDATOS E OS ATHAYDES - COLUNA DO XAVIER

CACOAL: A POLÍTICA, OS MANDATOS E OS ATHAYDES
Publicado em: 02 de Agosto de 2019

As eleições municipais que vão eleger prefeitos (as) e vereadores (as) acontecem somente em outubro do próximo ano. Entretanto, partidos, grupos políticos e eventuais candidatos já trabalham muito nos bastidores, com a finalidade de se prepararem para a disputa, que certamente será muito interessante, a julgar pelo contexto político pelo qual o país passa e que, indubitavelmente, influenciará o processo municipal, para o bem ou para o mal. Aliás, esse fenômeno que hoje move inúmeros pretendentes a cargos municipais tem levado dezenas de pessoas a imaginarem que a tal “Onda Bolsonaro” funcionará nas eleições municipais. Em Cacoal, muita gente foi acometida por este devaneio pueril, o que certamente vai provocar alguns desencantos e desencontros, já na fase de convenções...
O maior problema não reside, porém, no fato de políticos ou partidos anteciparem os debates. Desde que haja o cumprimento das regras eleitorais vigentes, é fundamental que os futuros candidatos se apresentem e digam, de maneira clara, o que pretendem fazer para minorar os problemas que afligem o contribuinte cacoalense. Este procedimento permite que o eleitor conheça, com mais detalhes, quem são os pretendentes e quais são as condições que eles possuem para exercer o mandato. Infelizmente, nos últimos meses, surgiram vários pré-candidatos ao cargo de prefeito ou vereador, prometendo coisas que nada têm a ver com as atribuições do cargo pretendido e enganando a população, já na fase que antecede as convenções. A impressão que fica é a de que essas pessoas imaginam que a população é idiota. As coisas não podem ser assim!! Se uma pessoa pensa disputar uma eleição, o mínimo que esta pessoa deve saber são as atribuições do cargo que vai assumir. 
No caso dos pré-candidatos ao cargo de vereador, basta a pessoa saber que tem duas funções básicas: legislar e fiscalizar. Se uma pessoa pretende disputar esse cargo e não sabe disso, então ela jamais deveria se meter. O eleitor também tem sua parcela de culpa, porque acreditar em conto de fadas é uma coisa que já não existe mais nem nos livros de literatura. Aqui em Cacoal, existem hoje pré-candidatos a vereadores prometendo “trazer indústrias para a cidade”, “gerar empregos”, “construir escolas militares”, “melhorar a segurança da população”, “diminuir a criminalidade” e “construir hospitais”. Diante de tais situações, é preciso um eleitor ser muito idiota para acreditar nisso e o candidato tem que ser muito cara de pau... Os candidatos a vereadores podem muito bem prometer revisar a Lei Orgânica do município, revisar o Regimento Interno da Casa de Leis, sugerir alterações em leis municipais já existentes e fiscalizar os contratos que o município faz. Não é possível aceitar que, no século XXI, ainda existam candidatos tão imbecis e eleitores tão desinformados. Cobrar dos candidatos o mínimo de conhecimento sobre suas atribuições significa melhorar a qualidade do legislativo mirim. Ou fazemos isso, ou aceitamos ser idiotas!!!
Outra coisa curiosa que passou a acontecer é a ação de pré-candidatos que marcam, já neste período, reuniões em residências, igrejas e associações para dar discursos e distribuir doces para crianças. E as autoridades eleitorais assistem a tudo isso, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Em pleno o século XXI, Cacoal alimenta a versão “Múcio Athayde” de fazer política. Por que será que uma cidade tão linda, tão promissora e tão moderna bate o pé para impor esses vícios asquerosos e degenerativos do universo político do século passado? Para aqueles que desconhecem ou ignoram a história, Múcio Athayde foi um advogado e político mineiro que esteve em Rondônia, a passeio, no começo da década de 80, e fazia política distribuindo motosserras para os agricultores. Na realidade, ele foi eleito deputado federal com essa prática, sem nunca ter morado em Rondônia. Depois de tomar posse, o “Homem do Chapéu”, como era conhecido, foi questionado pelo fato de nunca ter visitado o estado, para conhecer os problemas. Na época, ele declarou que não tinha razão nenhuma para andar em Rondônia, porque comprou e pagou todos os votos que teve aqui no estado. Quase quatro décadas depois, surgem em Cacoal aqueles que tentam fazer a mesma coisa, distribuindo doces para os filhos dos eleitores, mais de um ano antes das eleições. Como dizem os cacoalenses: “épracabar”!!!
Assim como a Justiça Eleitoral intima pessoas para trabalharem nas eleições, deveria intimar pessoas para atuarem na cidade, mostrando para a população quais as atribuições dos candidatos a determinados cargos. Se não tiver gente para coordenar os trabalhos, basta intimar os dois filósofos da honestidade, que eles certamente terão prazer em ajudar esclarecer a plebe ignara sobre os fatos. Caso não queira, a Justiça Eleitoral pode abrir mão do “Randap Eleitoral”, mas estará contribuindo para regar as sementinhas que o mineirinho Múcio Athayde deixou nas terras de Rondon... Tenho dito!!!



Fonte: FRANCISCO XAVIER GOMES - Professor da Rede Estadual
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