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CACOAL: A POLÍTICA, A RELIGIÃO E O FUTEBOL...

CACOAL: A POLÍTICA, A RELIGIÃO E O FUTEBOL...
Publicado em: 21 de Junho de 2019

O advento das redes sociais é uma coisa que vai ficar, por milhares de anos, na memória da população brasileira, em virtude de vários fatos sem os quais a história seria muito diferente. Sem as redes sociais, o Sérgio Moro seria herói mil anos; sem as redes sociais, o Bolsonaro jamais seria presidente; sem as redes sociais, o Neymar jamais seria acusado de estupro; sem as redes sociais, a mamadeira de piroca jamais existiria. Assim, não podemos ficar sem esta importante ferramenta, mas é muito importante que saibamos filtrar tudo, porque tem cada coisa. Assim como em outras cidades, em Cacoal, as redes sociais trazem de tudo, principalmente na política, religião e no futebol...
Uma coisa que realmente é de se lamentar em Rondônia, e especificamente em Cacoal, é que o extremismo de muitas pessoas tem sido revelado rotineiramente nas redes sociais. Todos os dias, é um festival de discriminação, preconceito e homofobia nas redes sociais.  A parte mais triste disso é ver pessoas que falam tanto em religião, falam da bíblia, dizem que são cristãos, porém revelam um ódio e um preconceito que não tem nenhuma compatibilidade com o cristianismo. Defender o ódio e o preconceito, em nome de Deus, é algo demasiado contraditório. Isso sem falar na confusão que envolve a política e a religião. Vale lembrar que as pessoas religiosas de verdade merecem todo o respeito e carinho, mas são justamente os “religiosos” hipócritas que se arvoram em defender bandeiras que eles entendem como cristãs. E todo esse ódio é colocado no coração das pessoas pelas redes sociais e pelos programas de TV, principalmente esses programas sem nenhuma qualidade e que servem apenas para fazer barracos, como é o caso de Datena, Ratinho, Faustão e outros idiotas...
O mais engraçado na história é ver que muita gente faz discurso de moralismo, por entender que sua religião autoriza tratar as outras pessoas como se fossem lixos. Interessante isso! É como se o fato de uma pessoa frequentar uma igreja tornasse tal pessoa melhor do que outras. Eu não tenho o menor interesse em ser cristão, como alguns que conheço em Rondônia, porque esse cristianismo, onde o que vale é ser hipócrita, não combina com aquilo que penso sobre a humanidade. Ainda bem que os cristãos hipócritas são em número menor que os autênticos. Recentemente, um desses cristãos que falam uma coisa e fazem outra fez uma postagem de ódio contra o jornalista que tirou a máscara do Sérgio Moro. Depois de fazer a postagem, o camarada coloca a bíblia embaixo do braço e vai fingir ser religioso em algum lugar. Quando ele é questionado, tenta colocar os demais membros da igreja contra as pessoas que questionam, como se todo mundo fosse tolo. 
Sinceramente, conheço centenas de pessoas que frequentam igrejas, templos, sinagogas, terreiros e outras instituições. Considero muito importante que as pessoas defendam seus dogmas e doutrinas, mas divirjo completamente de quem fala em religião e alimenta o ódio, o racismo, o preconceito. Nessa confusão toda, sempre que alguém tenta contestar as incongruências, aparece algum imbecil para dizer que “política, futebol e religião não devem ser objetos de discussão”. Claro que temos que discutir sim! É necessário discutir como podem existir pessoas tão medíocres pregando a bíblia; é necessário discutir como há pessoas tão medíocres fazendo política e como há pessoas tão medíocres no mundo do futebol. O que não pode é alguém querer convencer as pessoas de que Bolsonaro é um cristão fervoroso; o que não pode é alguém imaginar que o político Sérgio Moro é um ser perfeito, heroico e salvador da pátria; o que não pode é alguém tentar convencer as pessoas de que os jogadores do Brasil são melhores que os da Venezuela, porque são ricos, milionários e vivem em países ricos; o que não pode é alguém dizer que é cristão e defender o corte de recursos nas universidades que pesquisam doenças; é equivocado alguém dizer que é cristão e que a liberação de armas resolve os problemas do país...
Na realidade, é difícil imaginar quem foi o hipócrita que inventou essa história de que não se deve discutir política religião e futebol. Talvez os dois filósofos da honestidade saibam dizer de onde surgiu. Mas uma coisa é certa: quem defende essa ideia é muito tolo! É preciso discutir esses temas e tentar entender a razão pela qual a política, o futebol e a religião provocam tantos problemas, já que esses assuntos envolvem sempre muitos cristãos fervorosos. Nosso país não pode aceitar, na política, na religião e no futebol, cristãos tão pernas de pau... Tenho dito!!!

FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor da Rede Estadual e Articulista



Fonte: FRANCISCO XAVIER GOMES - Professor da Rede Estadual
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