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CACOAL: A POLÍTICA, A GALINHA E OS PINTINHOS...

CACOAL: A POLÍTICA, A GALINHA E OS PINTINHOS...
Publicado em: 07 de Junho de 2019

O processo político brasileiro e o conjunto de leis que nosso país tem proporcionam uma série de situações inusitadas sobre as quais precisamos refletir muito, especialmente porque é muito grande o número de pessoas que concordam com o fato de que, da maneira como as coisas estão, é necessário que haja mudanças significativas na legislação vigente e principalmente na conduta dos políticos com mandato. Logicamente que não se pode ter a doce inocência de que o alto índice de mandatários inaptos ou ineptos, ou as duas coisas, configura uma particularidade endêmica de Cacoal. Claro que não!! Em todas as cidades do país, em todos os estados e na esfera federal a situação é caótica...
O eleitor, muitas vezes, recebe muitas críticas, como se fosse o único culpado pelos problemas políticos do país, sendo acusado de não saber votar e outras adjetivações que nem sempre estão completamente corretas. Em muitos casos, o problema está no obstetra; outras vezes, na parteira; inúmeras vezes, na mãe; incontáveis vezes, nos partidos; ene vezes, no Congresso Nacional e, enésimas vezes, no Judiciário. A parcela de culpa dos eleitores é a menor. Não há como argumentar que o poviléu é o culpado, se os partidos selecionam nomes, apresentam ao Judiciário e o Judiciário autoriza as candidaturas. Se uma empresa coloca um produto à venda, depois de passar pela avaliação de vários setores e ser aprovado, não há como colocar a culpa em quem comprou, depois que o produto apresenta defeito. Nenhum político eleito no Brasil impõe seu nome para os órgãos que conduzem o processo eleitoral. O Tiririca tem mandato, por culpa do partido dele, por culpa do Ministério Público e por culpa do Poder Judiciário. Como político, ele não serve para nada e não é culpa do eleitor...
Ao citar, metaforicamente, o Tirica, que realmente é um apedeuta, não significa que esteja falando apenas sobre o contexto de São Paulo. Obviamente que não!!! Dentro do Congresso Nacional, tem mais de trezentos tiriricas; dentro do Palácio do Planalto, tem uns 25; dentro da Assembleia Legislativa de Rondônia, tem uns 20; dentro da prefeitura de Cacoal, tem uns 15 e dentro da Câmara de Cacoal tem uns 09. Desde Brasília, até os municípios com quatro ou cinco mil habitantes, há um número incalculável de mandatários que não deveriam sequer ter o registro de candidatura deferido, porque não possuem a menor condição de ter mandato. Muitos desses senhores ou senhoras pensam no mandato apenas como um emprego para o qual o indivíduo não precisa ter nenhuma formação técnica e com um salário que deveria ser apenas para quem efetivamente faz as coisas andarem. Ninguém é obrigado a disputar eleição! Os candidatos se apresentam e prometem o céu, a terra e o mar. Uma vez empossados, eles percebem que o cargo não pode ser ocupado por gente medíocre como muitos deles...
Invariavelmente, há os que reclamam todos os dias do cargo, dizendo que a sociedade cobra muito. Claro que há exageros, mas os eleitos precisam ser cobrados mesmo. Não existe a ilusão de que vai ser eleito e ficar somente com o salário e os louros. Quem quer a galinha, tem a obrigação de aceitar os pintinhos que ela tem e cuidar dos pintinhos. No caso do mandato municipal, é uma galinha que tem pintinhos novos diariamente. Entre esses pintinhos, estão o decoro, a obrigação de saber ler, de saber interpretar, de saber o que é urbanidade, de saber que o mandato não é uma pessoa física; é uma instituição pública, tem as cobranças, tem as críticas, tem o desgaste... Nem todos os pintinhos são amarelinhos...
Com todas as justas exceções, que seguramente existem na Câmara Municipal de Cacoal, é necessário que os vereadores aprendam que a finalidade de um mandato não é negociar cargos e outros penduricalhos. O mandato é uma coisa séria! Ou pelo menos deveria ser... Todos os vereadores que estão atrelados à prefeitura e que não têm coragem de exercer o mandato causam um prejuízo incalculável ao contribuinte. Todos os vereadores que são controlados pela prefeitura e fazem discursos dizendo que representam a população devem acreditar que o contribuinte é idiota. Conforme está previsto na legislação, os vereadores são eleitos para fiscalizar o Executivo; e não para negociar cargos e benesses. Os vereadores controlados pela administração representam apenas uma variação de excremento que a cidade não pode aceitar. Os filósofos da honestidade sabem muito bem disso. É de causar um asco incomensurável a atitude dos edis que fazem do mandato um balcão de negócios e ainda têm a cara de pau de falar que representam a população. 
Apenas para que o eleitor faça um teste simples, basta procurar a Casa de Leis de Cacoal, escolher um dos mandatários atuais e pedir que mostre, ao menos, um projeto que tenha sido elaborado para melhorar a saúde, a educação ou agricultura, para não citar muitas coisas. O eleitor deveria fazer um teste e perguntar ao vereador em quem ele votou qual foi o projeto mais importante que ele apresentou, após dois anos e meio de mandato. Com raras exceções, o que vai ser constatado é que pelo menos oito ou nove deles deixaram os pintinhos completamente órfãos e ficaram somente com a galinha... Tenho dito!!!

FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor da Rede Estadual e Articulista



Fonte: FRANCISCO XAVIER GOMES - Professor da Rede Estadual
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