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CACOAL: A POLÍTICA, A DEMOCRACIA E A PASSEATA...

CACOAL: A POLÍTICA, A DEMOCRACIA E A PASSEATA...
Publicado em: 24 de Maio de 2019

A aparente calmaria que normalmente se instala, após as eleições que elegem governadores e presidentes, não aconteceu ainda no Brasil e a mobilização de brasileiros, neste mês de maio, indica, que o clima de céu de brigadeiro vai ser adiado, mais uma vez. Logicamente que a cidade de Cacoal faz parte deste cenário socio-político-ideológico e isto começou ficar demonstrado no último dia 15 de maio, quando centenas de pessoas foram às ruas da Capital do Café mostrar a insatisfação pelos desastrosos cortes que o governo do ex-tenente ameaça fazer na educação brasileira. Neste domingo, os eleitores do Bolsonaro prometem ir às ruas pedir o fechamento do STF e do Congresso Nacional, mas certamente os cacoalenses não terão coragem de agredir instituições tão importantes para a democracia...
Para que não pairem dúvidas, registro que participei do movimento do dia 15 de maio, porque não posso concordar que os recursos destinados às instituições públicas de ensino sejam cortados, principalmente quando o próprio governo declara que os cortes serão feitos por razões ideológicas. Assim como sou contrário aos cortes de recursos da educação, sou contrário ao projeto de reforma da previdência encaminhado pelo ex-tenente Bolsonaro à Câmara dos Deputados. E sou contrário, porque li o projeto várias vezes. Caso aquilo seja aprovado, apenas pobres, idosos, trabalhadores do comércio, professores e trabalhadores rurais serão prejudicados, além das empresas de pequeno e médio porte. Quem leu o projeto sabe claramente que apenas os grandes bancos privados do país serão beneficiados, especialmente com o sistema de capitalização, que o Paulo Guedes não tem coragem de dizer para as pessoas pobres o que significa, na prática...
Entretanto, o fato de ter posição contrária a esses e outros projetos bolsonáricos não significa que sou contrário à passeata de domingo. Claro que não!!! Quem defende a democracia não pode se contrapor às manifestações pacíficas. Eu divirjo de enésimas decisões do STF; divirjo de enésimas posições do Congresso Nacional e divirjo de todas as opiniões que Bolsonaro emitiu, desde que foi expulso do Exército, em 1986. Ocorre, porém, que divergir é bem diferente de não aceitar. Eu sou plenamente favorável a que o STF continue existindo e o Congresso Nacional também, porque a nação brasileira necessita dessas instituições, do mesmo jeito que necessita das universidades e institutos federais. Não há como falar de soberania sem essas instituições, assim como não há como falar de democracia, tentando impedir que a passeata dos eleitores do Bolsonaro aconteça. Eu sou plenamente favorável que a passeata de domingo aconteça e vou adorar ver alguns amigos meus carregando faixas contra o STF, contra o Congresso Nacional, contra os médicos cubanos, contra os recursos das universidades e a favor do armamento da população...
Como os trabalhadores do comércio estão entre as vítimas do projeto de reforma da previdência, não acredito que eles carregariam faixas a favor da aprovação da matéria, mas, caso façam isso, está dentro das pilastras da democracia, ainda que a Síndrome de Estocolmo seja uma coisa muito controversa. Assim, não há que se falar em certo ou errado, sobre as faixas que estarão na passeata. Talvez até apareça alguém pedindo mais privatizações, já que os eleitores bolsonáricos são a favor do estado mínimo. Claro que muitos deles não sabem quantas famílias ficaram desempregadas em Rondônia, depois das privatizações na Eletrobrás, mas a privatização é um dos maiores símbolos da direita. Aproximadamente 300 demissões aconteceram na Eletrobrás, depois da privatização. Número muito significativo, mas que não tem nenhuma importância para quem se interessa apenas pelo número de desempregos da Venezuela, Cuba ou Nicarágua. Os eleitores do bolsonarismo não estão preocupados com o número de famílias de Rondônia que ficaram sem emprego, com a privatização da Eletrobrás. Para eles, o que importa é que todo mundo tenha arma. Neste caso, mais uma vez, estou junto com os dois filósofos da honestidade...
Sinceramente, creio que será muito importante que os eleitores do Mito participem da passeata de domingo, por várias razões. Como ele teve 78% dos votos de Cacoal, certamente teremos ao menos 30 ou 40 mil pessoas nas ruas. Em 1961, o Jânio Quadros também chamou o povo para ir às ruas se manifestar a favor do governo dele. O povo não apareceu. Ele entregou uma carta de renúncia ao Congresso Nacional. A renúncia de Jânio Quadros foi discutida, analisada e votada pelo Congresso Nacional, por unanimidade, em oito minutos. Jânio pensava que os deputados e senadores pediriam que ele ficasse. Agora, quase 60 anos depois, Bolsonaro espera que seus eleitores tomem contas das ruas e defendam seu governo. Muitas pessoas podem até não gostar da passeata de domingo, mas ela é legítima. Não seria democrático que um governo eleito com 57 milhões de votos seguisse o caminho de Jânio Quadros...Tenho dito!!!

FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor da Rede Estadual e Articulista



Fonte: FRANCISCO XAVIER GOMES Professor da Rede Estadual e Articuli
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