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COLUNA DO XAVIER Cacoal: A política, a ciência e a truculência...

Cacoal: A política, a ciência e a truculência...
Publicado em: 17 de Maio de 2019

A eleição do tenente Jair Bolsonaro vai deixar uma marca indelével na história política de Cacoal, especialmente na cabeça das pessoas que resolveram, definitivamente, abandonar a escola, os estudos e a leitura, para se dedicar a idolatrar um dos políticos mais medíocres que já tivemos no país. Infelizmente, teremos uma geração futura contaminada pelo sentimento de desprezo pela ciência e pela ilusão de que essa falsa moralidade pregada pelo tenente na campanha representa alguma coisa que mereça respeito. Os cortes feitos nos recursos da educação e negados pelo governo não deixarão vítimas apenas no Nordeste ou Sudeste. Em Rondônia, os problemas serão muito sérios...
Antes de qualquer coisa, vale registrar, para evitar fofocas e distorções, que o movimento e os protestos articulados pelos acadêmicos da UNIR e estudantes do Instituto Federal de Rondônia não representam movimentos contra instituições de ensino da iniciativa privada. Não tem nada disso! As instituições privadas de ensino instaladas em Cacoal cumprem muito bem seu papel e conheço de perto várias delas, como conheço profissionais que atual nestas instituições. O problema, os protestos e as manifestações possuem relação com os cortes nos recursos das instituições públicas promovidos pelo governo Bolsonaro e pelo desastroso Ministério da Educação que, desde janeiro, trabalha com muita determinação para destruir as instituições públicas de ensino do país. Ninguém consegue entender onde é que Bolsonaro consegue encontrar ministros e assessores tão desqualificados como esses que habitam hoje o ministério da educação. Lambança total dessa galera!!!
O atual ministro da educação não conhece absolutamente nada sobre este setor e sua experiência profissional foi como funcionário do banco Votorantim, empresa que nada tem a ver com a educação, e muito menos com a ciência e a pesquisa. Na primeira semana que assumiu o cargo, o ministro anunciou que o Brasil não precisa ter cursos de Filosofia e Sociologia. Ele fez esse anúncio sem fazer nenhum estudo científico sobre a necessidade desses cursos, sem conhecer as universidades e sem saber quais são os projetos e pesquisas em andamento hoje nessas instituições. Apenas para localizar o debate, o IFRO, Campus de Cacoal, desenvolve atualmente uma série de atividades de pesquisa e de extensão que merecem todo o respeito da sociedade cacoalense. Essa história de dizer que existe orgia dentro das instituições, sem você nunca ter entrado no local, é coisa de gente muito medíocre. Até hoje o ministro e seus assessores não citaram o nome de nenhuma universidade federal onde existem desfiles de estudantes nus. E se existisse, o chefe dessas universidades hoje é o ministro, ele seria o chefe da orgia.
Com relação ao IFRO de Cacoal, tenho tantos ex-alunos que estudam lá; tenho tantos alunos, atualmente, que querem estudar lá; tenho amigos de infância que trabalham lá; tenho amigos de dez ou quinze anos de amizade que trabalham lá... E, mesmo que não fossem meus amigos, eles fazem um trabalho que merece respeito!!!  Não se pode tentar manchar a imagem das instituições da maneira como algumas pessoas de Cacoal têm feito com a UNIR e com o IFRO.  E o que é mais grave nisso é que são pessoas que não conhecem as instalações de nenhuma das duas instituições. Se a pessoa não tem interesse pelos estudos, eu entendo; se não tem capacidade de estudar nas instituições federais, eu entendo; se a pessoa fala apenas porque gosta de fofoca, eu entendo... O que não dá para entender é por que esse ódio cego contra as universidades e os institutos federais...
Aliás, a UFBA, acusada de não produzir nada, pelo ministro, é a instituição que faz as principais pesquisas sobre o petróleo brasileiro e foi a instituição que descobriu o vírus da Zika. A Universidade Federal de São Carlos está fazendo, nos últimos anos, pesquisas já em fase muito adiantada com uma essência do ipê roxo, que a instituição descobriu que cura o câncer. A Universidade Federal do Rio de Janeiro tem pesquisas já muito avançadas, com testes positivos, sobre uma substância que vai regenerar a medula e evitar que milhões de pessoas fiquem paraplégicas ou tetraplégicas; além disso, eles estão desenvolvendo um equipamento que vai diagnosticar precocemente o Mal de Alzheimer; o curso de Medicina da UNIR, em Rondônia, desenvolve diversos projetos de extensão que são extremamente necessários para a prevenção de diversas doenças endêmicas de nossa região. Esses são alguns pequenos exemplos de trabalhos realizados atualmente pelas universidades brasileiras, mas há outras centenas. Cortar os recursos que alimentam esses projetos é um absurdo sem precedentes. Dizer que os cortes são por causa de briga política é ridículo. Imaginar que apenas estudantes da esquerda estão nas universidades é ser muito burro e complexado. As pessoas precisam acordar...
Sinceramente, se o Bolsonaro nomeasse hoje um dos dois filósofos da honestidade para o cargo de ministro da educação, seria muito melhor do que essas tranqueiras que ele arrumou não se sabe de onde. Quando o colombiano Ricardo Velez tenta destruir a educação brasileira, eu até entendo, porque ele não tem nenhum respeito pelo nosso país; quando o atual ministro da educação tenta destruir as instituições públicas de ensino, eu entendo, porque ele só entende de instituições bancárias; quando o Bolsonaro tenta destruir as universidades públicas, eu entendo, porque o Bolsonaro nunca estudou em nenhuma delas... Mas ver tantas pessoas de Cacoal fazendo discursos de ódio contra as universidades federais e contra o IFRO é uma coisa que causa profunda tristeza. Pior do que isso é saber que esse ódio todo é apenas para fingir que não se arrependeu de não saber votar... Tenho dito!!!

FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor da Rede Estadual e Articulista



Fonte: FRANCISCO XAVIER GOMES Professor da Rede Estadual e Articuli
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