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COLUNA DO XAVIER: CACOAL: A CULTURA, O TERERÉ E O CAFÉ...

CACOAL: A CULTURA, O TERERÉ E O CAFÉ...
Publicado em: 30 de Agosto de 2019

A cidade de Cacoal estará em festa hoje e amanhã. E não se trata de uma festa banal ou monótona, dessas que os estudantes universitários chamam de “social”. Não!! A razão é muito mais nobre e efusiva: estamos falando da Segunda Festa do Café, evento que busca mostrar aos participantes que a Capital do Café realmente faz jus ao epíteto relativo ao produto objeto do evento deste final de semana. Cacoal precisa enaltecer sua lavoura de café e buscar consolidar esta atividade, porque não são apenas as terras da antiga Nova Cassilândia que servem para produzir este nobre grão vindo da África para nosso país. Os municípios vizinhos estão trabalhando duro para alcançar metas muito ousadas, como é o caso de Nova Brasilândia, atual campeão de Rondônia... 
A quantidade de municípios que foram convidados a participarem da Segunda Festa do Café em Cacoal revela um crescimento significativo da atividade nas terras de Cândido Mariano e Anísio Serrão. Obviamente que não há razão para ciúmes de nenhuma dessas cidades, porque todas elas possuem uma coisa em comum: a capacidade de fazer a economia do estado ser aquecida, a partir do cultivo do café. Neste sentido, a criatividade vai contar muito, porque cada município precisa construir caminhos para evitar que a atividade econômica referente ao café seja restrita a commodities. As ações precisam ir além disso! É necessário trazer para a rotina econômica e comercial dessas cidades os produtos originados do café, como é a finalidade desta festa que a Capital do Café realiza hoje e amanhã. Não podemos nos conformar com a ideia de que doces, sorvetes, iogurtes e outras maravilhas feitas de café estejam presentes apenas nas feiras esporádicas que acontecem. Essas coisas precisam fazer parte da rotina das lanchonetes, restaurantes e bares da cidade de Cacoal e todas as cidades de Rondônia. O café pode ser sazonal; a cultura não...
 O café precisa virar uma marca de verdade. Hoje é muito mais fácil imaginar que o tereré é produzido a partir de uma erva muito cultivada em Cacoal e outras cidades de Rondônia, pois está em todas as rodinhas de crianças, jovens e adultos. Por que a erva cultivada no Paraguai virou marca da Cidade do Café? Por que o produto da cidade não gera novas formas de agregar valores. O café produzido em Cacoal existe somente em dois lugares: na bandeira e no brasão da cidade. Isso é pouco, muito pouco, pouquíssimo!!! Ninguém vai entrar em um restaurante, bar ou lanchonete e pedir para ver a bandeira ou o brasão da cidade. É preciso ter sorvete, suco, cerveja, bolo, torta e tudo que se possa produzir com café. Assim é que vamos criar a marca que é vista somente no período da festa. Está na hora de pensar em uma espécie de centro cultural com lanchonetes onde haja produtos do café, onde haja trabalhos dos pioneiros do café, onde haja pinturas e artesanatos relativos ao café... O município deveria exigir como critério para ocupar espaço nas lanchonetes do Complexo Beira Rio que as lanchonetes ou restaurantes tivessem algum produto do café. Não tem a menor graça beber produtos americanos na cidade que tem como marca o café...
Esta ausência dos produtos do café na economia e no comércio da Capital do Café é uma coisa tão marcante que a Secretaria de Educação nunca fez um concurso de redação em que os candidatos tenham que falar de café. Não se vê em Cacoal nenhuma poesia voltada para o tema. Não temos na cidade nenhum monumento que aluda ao café. Embora a cidade seja universitária, não se tem conhecimento de nenhum laboratório, nas instituições universitárias, que estude o café e suas propriedades. É isto que precisamos fazer! Nenhuma dupla sertaneja de Cacoal fez uma composição sobre o café. Por que isso? Aliás, é muito importante que o município contrate artistas locais para a festa, porque isso estimula a cultura. E ninguém pode falar que não temos artistas na cidade. Temos vários e são bons! E mesmo que não houvesse artistas, a administração deveria contratar ao menos os dois filósofos da honestidade para que eles pudessem explicar aos visitantes como foi construída a história da Capital do Café...
E para que fique bem clara a situação, minha intenção ao registrar estas opiniões hoje não tem nenhuma intenção de criticar o evento, mesmo porque ainda não aconteceu. A única finalidade deste texto é deixar claro que hoje e amanhã teremos em Cacoal a Segunda Festa do Café, evento cultural que justiça o nome da cidade. Mas para não perder o hábito, considero muito brega essa história de eleger a “Rainha do Café”. As candidatas são belíssimas; Rondônia tem mulheres muito lindas e isto é algo que ninguém pode contestar. Mas esta mania de “rainha de tudo” é uma coisa muito brega! Sinceramente, acredito que seria muito mais interessante eleger a receita mais original, feita de café, porque isso enriquece a ideia da festa e sugere que em outros anos as coisas podem trazer muitas novidades. Essa história de “rainha” já tem em festa junina, em desfiles de modas, em disputa de comércios e até na novela “Rainha da Sucata”. Eu confesso que me apetece mais a ideia de ver Nossa Amada Cacoal criar uma imagem autêntica como são os cacoalenses... Tenho dito!!!



Fonte: FRANCISCO XAVIER GOMES Professor da Rede Estadual e Articuli
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