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CACOAL: A CULTURA, O SÃO JOÃO E O CAFÉ...

CACOAL: A CULTURA, O SÃO JOÃO E O CAFÉ...
Publicado em: 05 de Julho de 2019

O mês de junho encerrou na semana passada, deixando nos anais da história cacoalense o registro de diversos fatos que certamente serão marcantes para muitas pessoas, especialmente na vida daqueles que têm as festa juninas e o São João como uma referência de cotidiano. Na realidade, as festas juninas vieram para o Brasil com os portuguêse entraram pelo Nordeste, mas os italianos e alemães cacoalenses também têm muita predileção pelo estilo, ainda que o funk tenha se misturado a algumas festas juninas e outros tipos de festas, na Capital do Café.
A própria história do café deixa claro que Cacoal está mais próximo das atividades cafeeiras do que juninas, embora não haja absolutamente nenhum problema em se fazer as duas coisas. O grande problema é que o café só tem valor cultural em Cacoal quando algum produtor independente participa de alguma feira nacional e traz bons resultados, o que é muito comum acontecer. E quando isto acontece, geralmente diversos políticos, da esfera estadual e municipal, fazem de tudo para fazer fotos e colocar nas redes sociais, como se fizessem parte daquela conquista, desde a plantação da muda do café nas roças da cidade. Claro que não! Todo mundo sabe que não! Isto é apenas a cultura de tentar pegar carona em trabalho alheio, como faz um papagaio de pirata. Muitas vezes, as pessoas que fazem fotos com os produtores de café premiados nem sabem onde fica a roça do cidadão e nem sabem as condições da estrada. Deve ser essa falta de conhecimento sobre a história e a cultura do café que empurram muitos cacoalenses na direção do São João e das festas juninas. Neste caso, acabam ficando descaracterizados os dois eventos...
O apelido de “Capital do Café” realmente tem sido relegado a segundo plano em Cacoal, como não deveria ser. Grande parte dos cacoalenses gosta mesmo de festa junina, de passeio na Europa, nos Estados Unidos. O curioso é que as festas juninas ficam lotadas de gente. Neste caso, vale destacar que há sempre uma organização que merece elogios. A festa junina ocorrida na praça, no final de semana passado merece elogios. Neste caso, houve boa dedicação das pessoas da prefeitura, houve boa dedicação da prefeita e boa dedicação de diversas escolas e muitas outras pessoas que ajudaram abrilhantar o evento. Ainda que eu fosse contrário à realização de festas juninas, teria a obrigação de elogiar o evento da pracinha. Foi excelente!! Deve ter ocorrido alguma falha, em alguma parte da organização, porque não dá para imaginar que existam eventos perfeitos, ainda que sejam muito bem organizados, como foi o arraial na praça, porém eventuais falhas não foram detectadas a olho nu.
É claro que existem situações  que se revelam totalmente incompatíveis com a realização de festas juninas, como é o caso da execução de funk nessas ocasiões. E não adianta alguém que gosta de funk fazer beicinho e dizer que funk também é cultura, que funk também é música e que as pessoas devem respeitar. Sinceramente, eu não costumo reclamar, quando estou em lugares onde toca funk, mas, na primeira oportunidade, procuro ir embora, porque não considero aquilo como música e nem considero cantor quem pratica aquele troço. É lógico que muitas pessoas vão reclamar e falar que eu sou chato. Prefiro ser xingado de chato a ter que ouvir funk e outras coisas que não gosto. Aliás, uma coisa que me causa asco total é constatar que em formaturas de colação de grau o funk, muitas vezes, é o fundo musical, sendo a principal atração em outras tantas vezes. Devo adiantar que as pessoas que forem participar de formaturas onde toca funk não precisam ter a menor preocupação em me esquecer na hora do convite, porque considero esse tipo de evento muito aquém da cultura que gosto de prestigiar. Na minha ótica, Cacoal e suas autoridades deveriam fazer de tudo para consolidar a cidade como “Capital do Café”, efetivamente, e tentar extirpar o funk.
Nas formaturas, tem funk; nas festas juninas, tem funk; nas caixas de som de carros, tem funk; nos balneários, tem funk; nos sítios, onde tem belas plantações de café, tem funk; nos pen drives dos acadêmicos, tem funk; meus alunos me informaram que existe até funk gospel... Que coisa deprimente!!!! Para completar minha carga de Síndrome de Deficiência Funkiológica, só falta alguém informar que os dois filósofos da honestidade costumam ouvir funk em casa. Aliás, para não generalizar, estive certa vez na residência do professor Elias (da UNESC) e constatei que ele e os demais componentes da sua banda representam a “salvação da lavoura de café de Cacoal”, em termos musicais. Elias e seus amigos têm excelente gosto pela música e um repertório fantástico! Tive o privilégio de testemunhar isso. Na realidade, eu ainda sonho com o dia em que o funk perderá a disputa para o café em Cacoal e o símbolo da cidade, em todos os eventos, inclusive em festas de São João, voltará a ser a planta que foi responsável pelo carinhoso apelido da Nossa Amada “Capital do Café”... Tenho dito!!!!

FRANCISCOXAVIER GOMES
Professor da Rede Estadual e Articulista



Fonte: FRANCISCO XAVIER GOMES - Professor da Rede Estadual
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