Boca Maldita
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Coluna

Boca Maldita de 18 de outubro de 2019

Boca Maldita de 18 de outubro de 2019
Publicado em: 18 de Outubro de 2019

AMOR À AGRICULTURA. Todas as vezes em que alguém do universo político de Cacoal cita o setor de agricultura, dezenas de pessoas aparecem para dizer que amam os agricultores, que amam a cidade e que são os verdadeiros defensores do setor da agricultura. Na prática, porém, a realidade é muito diferente. No começo desta semana, a Câmara Municipal de Cacoal votou e aprovou o projeto que se refere ao orçamento para o ano de 2020. Todos os vereadores, e neste caso não houve exceção, votaram a favor do projeto enviado à Casa de Leis pela prefeita Glaucione Rodrigues. O que muitas pessoas não conseguem entender é por que o orçamento para o setor de agricultura para 2020 diminuiu. É isto mesmo! Os vereadores votaram para diminuir o orçamento da agricultura e aumentar o orçamento da Procuradoria Geral do município. Realmente é muito estranho que haja dentro da Câmara de Cacoal tantos defensores da agricultura e aconteça esse tipo de coisa. Após a sessão, alguns vereadores afirmaram que não concordam com o projeto e são contra a diminuição do orçamento da agricultura. O que não dá para entender é o por que alguém é contra e vota a favor de um projeto. Conforme está previsto na legislação, os vereadores podem votar contra, a favor ou se absterem de votar. Como todos votaram a favor do projeto, ficou claro que todos queriam diminuir o orçamento da agricultura. Quem quiser acreditar em outra história, pode ficar à vontade. E olha que tem vereador da área rural...

AGRONOMIA NAS ESCOLAS. Apesar dos votos contrários ao setor de agricultura, nem tudo foi perdido na sessão desta semana. O vereador Claudemar Liitig (Mão) abraçou uma bandeira que precisa ser entendida pelos seus pares. Ele trouxe para o debate a ideia de a secretaria de educação colocar professores nas escolas rurais que tenha formação na área de Agronomia para ministrar aulas sobre esse assunto. Como a cidade tem uma vocação para a agricultura, a proposta do vereador precisa ser tratada com muito carinho, porque não é possível entender a insistência do município em trazer os filhos de agricultores para estudar na cidade. Logicamente que aqueles que desejam estudar outras áreas das diversas ciências precisam mesmo ter todo o respaldo das instituições. Porém não se pode esquecer que é necessário a cidade se manter. Todo mundo sabe que Cacoal é uma cidade sustentada pela agricultura. Aliás, não é à toa que o Instituto Federal de Rondônia criou em Cacoal um curso voltado para esta área. Falta apenas a administração municipal acordar para esta realidade. 

TRANSPORTE ESCOLAR. Na mesma sessão, o vereador Mão reclamou muito que os ônibus usados para transportar as crianças nas linhas rurais são velhos e não oferecem as condições necessárias para atender as crianças e adolescentes. Mas neste caso, não se pode dizer que a culpa é da prefeita Glaucione. No início da administração, a prefeita enviou realmente uma proposta para aumentar a idade dos ônibus e contratar ônibus mais antigos para o serviço. A proposta foi aprovada pelos vereadores. A prefeita não tem legitimidade para alterar a idade dos ônibus e isto é uma decisão que depende dos vereadores. Neste caso, o vereador Mão deve cobrar de seus pares, porque assim se fará a justiça. Caso alguma pessoa tenha interesse em relembrar a história, basta buscar nos arquivos da Casa de Leis o projeto aprovado pelos senhores e senhora vereadora sobre a idade dos ônibus.

CARROS NOVOS E LATAS VELHAS. Na mesma sessão onde houve os questionamentos sobre os ônibus velhos, os vereadores aprovaram um projeto, autorizando a prefeita a comprar carros novos para a administração. Como não temos aqui as informações sobre a natureza do projeto aprovado, não podemos afirmar que serão ônibus escolares, mas o vereador Claudinei Ribeiro afirmou, antes de votar a favor da matéria que a administração da prefeita Glaucione Rodrigues é a que mais compra veículos e a que menos cuida da frota municipal. Vale lembrar que todos os vereadores votaram a favor do projeto que autoriza a prefeita a comprar carros novos. Então, não dá para cobrar sobre do Poder Executivo. Atualmente, os vereadores de Cacoal são conhecidos nas redes sociais como vereadores que carregam a seguinte marca: “sou contra o projeto, mas voto a favor”. Ou seja, muitas reclamações dos vereadores são relacionadas com atos que eles mesmos autorizaram. Talvez fosse interessante pedir à prefeita para enviar um documento sugerindo aos vereadores que renunciem aos mandatos. Eles diriam: sou contra a proposta, mas voto a favor...

QUEBRA DE TRADIÇÃO. Os vereadores de Cacoal apresentaram uma novidade durante a votação do orçamento do município para 2020. A tradição era que todos os anos eles autorizavam a prefeita a fazer remanejamento de recursos de uma secretaria para outra até o limite de 20% do orçamento do município. Para o próximo ano, a prefeita poderá remanejar apenas 7% do orçamento. Essa atitude dos vereadores não muda absolutamente nada na administração, porque pelo menos 08 vereadores fazem parte da chamada “base aliada da prefeita” e votam sempre da maneira como são orientados pela administração municipal. A única coisa que pode ser diferente é que aliados da prefeita vão dizer que as coisas não são feitas porque diminuiu o percentual de remanejamento. Quem acompanha as sessões imagina que o vereador Nilton Cesar e a vereadora Maria Simões se revezam na liderança em defesa da prefeita, mas apenas vereadora é líder oficial. 

NOVO DIA DA MULHER. As redes sociais em Cacoal, durante esta semana, trouxeram uma nova polêmica. Os vereadores da Capital do Café aprovaram, por unanimidade, um projeto de lei que cria um feriado exclusivo para mulheres no primeiro domingo de março. O projeto é de autoria do vereador Rogério Chagas e contou com o apoio de todos os membros do legislativo. Em um dos muitos grupos das redes sócias que tratam de política em Cacoal, várias mulheres ficaram revoltadas com o projeto, principalmente porque, segundo elas, o autor da matéria costuma xingar as mulheres de vacas e vadias nas redes sociais. Pode ser que a intenção do nobre vereador fosse ganhar votos femininos para a sua reeleição, mas o projeto não foi bem aceito na cidade. Isto sem falar da confusão que vai dar em função do horário de funcionamento de muitas empresas cacoalenses. É muito provável que as instituições que representam os empresários da cidade tomem algumas medidas jurídicas para anular o projeto, porque o vereador teria dito a aliados que, caso a prefeita não sancione, ele deixará a base aliada. Um dos vereadores chegou a declarar que votou a favor, mas torce para a prefeita vetar. Vai entender... Um cidadão que acompanhou a discussão do projeto, dizia que as mulheres merecem muito mais e não um feriado dedicado a elas no domingo.

PEDAGOGIA DO DESPERDÍCIO. Muitas pessoas não percebem determinados fatos que ocorrem na Capital do Café. A escola José de Almeida, umas das mais tradicionais de Cacoal está interditada há quase três anos. Por uma questão de justiça, vale registrar que a escola foi interditada após uma reforma muito mal feita ainda na gestão do ex-prefeito Franco Vialeto. Quando a prefeita Glaucione Rodrigues assumiu o cargo, ficou constatado que a escola não estava em condições de funcionar por causa dos riscos de acidente, entre eles até o desabamento. A obra de reforma da escola José de Almeida é um exemplo muito grande de desperdício de recursos públicos e até hoje nenhuma explicação foi dada à população. Os problemas não param por aí. Com a interdição da escola, a prefeita Glaucione decidiu alugar outro local para que as crianças fossem atendidas. O problema é que o aluguel do imóvel escolhido custa cerca de meio milhão de reais por ano, recursos que poderiam ser utilizados para investir em outras prioridades, inclusive na verdadeira reforma da escola. É lamentável que fatos como este aconteçam em um momento de crise financeira em todo o país. Independentemente de apontar culpados por este descaso, o município deveria apresentar uma solução urgente para evitar tanto dinheiro perdido pelo ralo.

CAMPEÕES DA CONTRADIÇÃO. Enquanto a escola José de Almeida está abandonada, os vereadores de Cacoal disputam quem é o campeão de enviar ofícios para pedir limpeza de trechos de ruas e avenidas escolhidos por eles. O curioso é que todos os vereadores declaram que o Secretário de Obras está fazendo um excelente trabalho, mas não existe um planejamento sobre quais os setores da cidade que devem ser atendidos com limpeza e recuperação de vias públicas. Como a cada sessão, os vereadores apresentam dezenas de pedidos para limpar ruas, fica a impressão de que o setor de obras não funciona. Caso exista uma planilha e o secretário tiver interesse, vamos publicar aqui na coluna. Esses elogios intermináveis podem ocorrer pelo fato de haver um atendimento nos lugares que os vereadores indicam, fato que revela grande desorganização. Então, se a secretaria funciona de maneira tão eficiente como declaram os vereadores, por que em todas as sessões eles encaminham ofícios pedindo para limpar ruas? Os vereadores talvez não saibam, mas a escola José de Almeida deveria ser colocada em funcionamento e, para que isto aconteça, é preciso resolver os problemas de reforma do local. Talvez fosse o caso de enviar ofícios para a prefeita, informando que uma das escolas mais tradicionais de Cacoal parou de funcionar. Com esses 500 mil que o município gasta, por ano, para alugar um prédio, bem que a prefeita também poderia investir para melhorar a merenda dos alunos.

INVERNO DA DISCÓRDIA. As chuvas que caíram nos últimos dias em Cacoal mostram que teremos um inverno intenso este ano. Assim, aquelas demandas de reparar ruas e avenidas que não foram feitas no período de seca certamente terão que esperar para o próximo ano. Os vereadores que formam a chamada base aliada da prefeita Glaucione Rodrigues argumentam que não será possível arrumar as ruas porque as chuvas vão cair. Durante todo o período de seca, eles argumentavam que não era possível arrumar as ruas, porque a prefeita precisava pedir emprestados cinco milhões de reais na Caixa Econômica. O projeto do empréstimo jamais foi votado ou discutido e acabou parando nos tribunais. É muito difícil acreditar que haverá uma solução para a judicialização do projeto, porque já houve várias decisões no sentido de que a proposição não cumpriu os rituais do processo legislativo. Talvez a solução esteja no fato de o município fazer uma reforma nos muitos prédios que possui, voltar a ocupar os prédios municipais e parar de pagar aluguel. Isto representaria uma economia de milhões durante a gestão da prefeita de Cacoal. O mais certo nessa história é que haverá um dilúvio de confusão...

DIA DOS PROFESSORES. Esta semana foi marcada por muitos protestos dos profissionais da educação contra o governador Marcos Rocha e o Secretário de Estado da Educação Suammy Lacerda. O motivo da revolta é que ambos anunciaram em todos os veículos de comunicação de Rondônia que os professores do estado receberiam salários conforme está previsto na legislação atual, que estabelece o piso salarial dos professores. O anúncio foi feito e todos os atos oficiais foram publicados no Diário Oficial de Rondônia. Um dia depois, o governo anunciou que as coisas não eram bem assim e mandou cancelar tudo. Em todo o estado a revolta está em todas as escolas. O SINPROF/RO, sindicato que representa os professores de Rondônia, protocolou esta semana uma ação judicial contra o governo de Rondônia, exigindo o cumprimento daquilo que foi anunciado e oficializado. A popularidade do governador vai sofrer um abalo muito grande dentro da educação, inclusive por parte de professores que votaram no coronel. Aguardemos...

 

O THIAGO MARCELINO CAVALCANTE, nascido em Cacoal no dia 03/03/92, filho do  Antonio Marcos Cavalcante e Rosana Cristina Marcelino Cavalcante, formado em Ciências Contábeis pela Unesc, que trabalha com seu pai no escritório Marcão Contabilidade(99986.8637), corintiano, irmão do Lucas, popular Batuta, sempre leu e continua lendo TRIBUNA POPULAR e www.tribunapopular.com.br.



Fonte: Redação
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