Boca Maldita
Boca Maldita

Coluna

LETREIROS DA DISCÓRDIA - Na Boca Maldita de 16 de agosto de 2019

Boca Maldita de 16 de agosto de 2019
Publicado em: 16 de Agosto de 2019

TRIBUNAL DE CONTAS. Os vereadores de Cacoal receberam esta semana uma visita ilustre. Trata-se do ex-deputado Chico Paraíba, que hoje exerce o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas de Rondônia, onde foi colocado pelos seus ex-colegas de Assembleia Legislativa. Ao usar a tribuna da Casa de Leis da Capital do Café, Chico Paraíba declarou que estava na cidade para orientar os vereadores sobre como votar um projeto que tramita na Câmara e que está relacionado com o prédio onde funcionava o TCE em Cacoal. A questão é que o terreno onde foi edificado o prédio da Corte de Contas foi doado pelo município e há as normas a serem seguidas. A visita de Chico Paraíba com a finalidade de orientar vereadores sobre como decidir votos certamente é a primeira vez que o Tribunal de Contas de Rondônia toma uma medida como esta, já que os conselheiros do TCE têm, entre outras atribuições, a função de fiscalizar as câmaras de vereadores. 

FAZENDO AS CONTAS. Conforme estabelece a legislação que trata da doação do terreno ao Tribunal de Contas, o local poderia ser utilizado pela Corte para atender as finalidades da legislação. Reza ainda a lei municipal que, a partir do momento em que o Tribunal de Contas não fosse mais utilizar o imóvel, o bem deveria ser devolvido ao município novamente. Pois bem! O Tribunal de Contas fechou as portas em Cacoal e não precisa mais do prédio. Como o município de Cacoal gasta anualmente algo próximo de um milhão de reais, com aluguel de prédios, não faz sentido o município doar ou ceder um imóvel que poderia ser utilizado para atender as necessidades do município. Em edição anterior, comentamos que seria importante o Tribunal ceder o local para a Defensoria Pública, mas imaginávamos que o imóvel pertencia ao estado, o que não parece ser o caso. Se o terreno realmente voltar a pertencer ao município, as contas com aluguel poderia sofrer uma boa redução com a devolução do terreno e a cessão do prédio à administração de Cacoal. 

LETREIROS DA DISCÓRDIA. A administração municipal causou uma grande confusão poucos dias atrás, quando enviou uma notificação aos feirantes que trabalham no Feirão do Produtor, localizado na rua Malaquita, esquina com a Castelo Branco. O problema é que todas as bancas que estão dentro do local possuem placas com letreiros identificando as barracas e o tipo de serviço, mas a secretaria de obras não aceita e já determinou que todos devem retirar as placas. É possível que tenha uma norma municipal voltada para disciplinar esse tipo de situação, mas, convenhamos, a cidade de Cacoal tem muitas outras prioridades que precisam ser vistas e resolvidas pela secretaria de obras. Deixem o pessoal trabalhar no feirão em paz. Eles já tem despesas demais.

SURDEZ LEGISLATIVA. A falta de intérprete de LIBRAS na Câmara Municipal de Cacoal tem sido duramente criticada por diversos membros do legislativo. Na sessão da última segunda-feira, o vereador Pedro Rabelo decidiu que não faria o seu pronunciamento na tribuna da Casa porque não admite a falta de respeito com a comunidade surda. Realmente não dá para entender por que a Mesa Diretora não resolve esta situação. É importante lembrar que a comunidade surda em Cacoal é numerosa e os surdos têm o hábito de acompanhar as sessões para saber das ações dos vereadores. Isto sem falar que as sessões são transmitidas em tempo real pelas redes sociais e outros veículos. Esse tipo de situação não pode acontecer em uma câmara onde em todas as sessões os vereadores batem no peito e dizem que defendem o povo. Os nossos vereadores não podem fingir que são surdos em relação aos direitos da sociedade.

LUXÚRIA LEGISLATIVA. Na semana passada, publicamos aqui na coluna a informação de que a Câmara de Cacoal planeja uma reforma com um custo que se aproxima de 900 mil reais. Muitos leitores não acreditaram e outros demonstraram muita irritação. Para que se tenha uma ideia, apenas o projeto custa cerca de 120 mil reais. As pessoas que são favoráveis à reforma deveriam visitar as dependências da Câmara de Cacoal e constatar que existe uma excelente estrutura. Claro que alguns vereadores poderão argumentar que os recursos irão sobrar ao fim do ano, mas este argumento não serve para convencer nenhum dos contribuintes que pagam os salários dos vereadores. Os recursos podem ser devolvidos para o Executivo e podem servir para atender outras prioridades. Nós admitimos a opinião das pessoas que são favoráveis à reforma, mas não consideramos uma prioridade. 

CAFÉ COM MÚSICA. O município de Cacoal se prepara para realizar, nos dias 30 e 31 de agosto, a 2ª Festa do Café. A ideia do evento, conforme comentam os organizadores, é apresentar ao público todas potencialidades do café e valorizar a cultura local. Ótima iniciativa! Entretanto, a valorização precisa ser ampla. Na sessão da última segunda-feira, o vereador Claudinei Castelinho criticou a ideia de fazer esse tipo de evento deixando de lado os artistas locais. Cacoal tem diversos artistas da música que poderiam muito bem ser contratados pelo município para eventos dessa natureza. Valorizar o café é muito importante, mas não podemos nos esquecer de outros segmentos profissionais, culturais e sociais que formam a história de Cacoal. 

LIXO DA DISCÓRDIA. A Câmara de Cacoal tem diversas situações políticas muito controversas. Esta semana, o vereador Mário Moreira Jabá cobrou dos colegas de mandato a instalação de uma CPI para investigar a situação dos contratos realizados pela administração sobre a coleta de lixo. Conforme as declarações do vereador, existe a possibilidade de haver várias irregularidades. Pelo perfil da atual composição do legislativo de Cacoal, tudo indica que o assunto vai ser colocado embaixo do tapete, porque a Câmara não tem interesse em investigar essas coisas. Nos bastidores políticos, comenta-se que duas coisas podem acontecer: ou os vereadores vão convidar alguém para ler a bíblia e orar para o município na tribuna da Casa; ou vão convidar alguém do Tribunal de Contas para dizer se eles podem ou não abrir a investigação. 

CENTRO DE ZOONOSE. O vereador Nilton César é considerado por muitas pessoas como um dos integrantes da chamada "base da prefeita", porém ele fez duras críticas, essa semana, dirigidas ao Plano de Governo apresentado pela prefeita Glaucione Rodrigues em 2016. Nilton César citou especificamente o Centro de Zoonoses e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA). No plano de governo, a então candidata prometeu equipar e modernizar o setor de zoonoses, mas o local, segundo o vereador, está completamente abandonado. Quanto à UPA, é muito difícil imaginar que algum dia acontecerá a inauguração. Na realidade, o setor de saúde municipal tem sido alvo de críticas de todos os vereadores e os problemas citados são vários, como a falta de médico de plantão, falta de instalações básicas em unidades de saúde e até mesmo a falta de materiais de expediente. Felizmente, os servidores que trabalham na saúde são muito dedicados, embora eles não possam fazer milagres. 

LAVAGEM DE ROUPA. A vereadora Maria Simões demonstrou esta semana que está muito irritada com os procuradores jurídicos da Câmara de Cacoal. Ela usou a tribuna e dedicou seus 10 minutos para fazer duras críticas contra os advogados que trabalham no setor jurídico do município, citando, entre outras coisas, que eles não cumprem corretamente os horários de trabalho. Na ocasião a vereadora citou diversos fatos que, segundo ela, mostram que os procuradores não agem dentro da legalidade. Essa polêmica certamente vai causar um desgaste político grande para a vereadora, porque os procuradores da Câmara exercem cargos efetivos no Poder Legislativo e ela faz parte da Mesa Diretora, onde ocupa o cargo de vice-presidente. Se algum servidor deixa de cumprir as obrigações, isto acontece por omissão da Mesa Diretora e da Presidência da Casa. A forma como a vereadora resolveu tratar do assunto não parece ser a mais indicada, porque ficou parecendo apenas um conflito político entre ela e os procuradores. 

ADAILTON FÚRIA. O deputado Adailton Fúria apresentou diversos fatos que ocorrem em Cacoal sobre sua atuação como deputado e que deixam várias dúvidas na população. Esta semana, o vereador Paulo Duarte revelou que, em contato com o deputado, Fúria teria informado que encontra muitas dificuldades para disponibilizar recursos para Cacoal, porque a administração não tem demonstrado interesse em recepcionar seus projetos. Ainda esta semana, o deputado Adailton Fúria declarou na tribuna da Assembleia Legislativa que o secretário de estado da saúde é seu amigo e muito competente, mas na mesma sessão fez várias denúncias graves sobre o abandono e o descaso com que o governo de Rondônia trata os pacientes nos hospitais. No caso de Cacoal, Fúria declarou que o Heuro e o Hospital Regional tem atuado de maneira muito precária, pela falta de equipamentos, destacando que os servidores são dedicados, mas o governo não oferece condições. Enquanto isso, outros municípios recorrem ao deputado. E olha que Cacoal ficou feliz com a eleição de dois deputados entendendo ter adquirido força redobrada. Será verdade que o que vier do deputado Fúria será desprezado pela administração municipal? Esta coluna ainda vai entender melhor a política cacoalense... 

DIGNO DE HOMENAGEM. Mas falando em Cacoal e em administração municipal, já tem gente sugerindo que o ex-prefeito Padre Franco Vialetto deve ser homenageado pelo fato de não ter cometido nada de errado em oito anos de mandato. Tudo isso conforme a atuação de um vereador que durante os dois mandatos do italiano nada de errado constatou mesmo tendo surgido a Operação Detalhe e para ele, na atual administração só acontecem ações erradas. Realmente o que leva um cidadão que se diz defensor do povo achar que só a administração que ele defendeu ser a certa, indaga um leitor tribuneiro.

 

O sargento Marcelo da Silva Rezende, policial militar desde 2002, esposo da também sargento Letícia,  pai dos pequenos João Marcelo e do Guilherme, filho caçula do seu Ernani e da dona Erci, TAMBÉM LÊ TRIBUNA POPULAR



Fonte: Redação
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade

Mais de Boca Maldita