Memórias de Ana...
Memórias de Ana Carolina

Coluna

Carolina

Acalma-te coração!

Texto, Memória e Poesias
Publicado em: 09 de Agosto de 2018

         Pensei muito em começar esta escrita com alguma palavra de efeito. Talvez desse certo (ou não). Mas já são tantas expectativas diariamente. Tantas metas. Listas feitas em papeis de rascunho que acabam sendo guardados no bolso.

         O que seria da vida sem as ambições? Para cada vida, um drama: que tem início, meio e por vezes, não chega ter um bom fim. Final feliz? Isso é coisa de conto de fadas. Na verdade, é pau, é pedra, é o fim do caminho.

         As lenhas são dos galhos da árvore cansada. O tempo corre tão depressa, que quem aproveita de sua sombra, a esquece de regar. A coitada em desespero grita os sinais de que está adoecendo. Mas o ponteiro do relógio é veloz demais. Rouba das pessoas o senso de normalidade. São distraídos, iludidos e tristonhos. Enquanto isso, ela vai empobrecendo, envelhecendo e continuamente, morrendo. É uma pena que deixemos nossos jardins falecer.

         As pedras são destroços de rochas infinitamente maiores. Elas vieram rolando morro abaixo nos perturbando com o barulho. Qual a escusa para que nossos ouvidos tapados não atentassem ao desmoronamento? Elas chacoalhavam nossas estruturas! Os pedregulhos menores vinham fazendo tumulto na alma durante toda a estação, contudo costuramos cortinas de grossa manta para que distante de nós se mantivesse os presságios. O toque de recolher, as buzinas... Não é suficiente para que façamos a mala e partamos embora?

         E então, evidentemente claro, pensamos ser o fim do caminho. E acredite. Não é! Fins de caminho geralmente são repletos de muros, barreiras e matas escuras. E estes são arduamente quebrados e adentrados pelos aventureiros colonizadores. Se antes mata bruta, tapume forte, agora campo aberto. Quem são os audaciosos criadores de trilhas nas nossas vidas?

         Não há outro meio. O adequado é entrarmos no bando dos reconstrutores. Recolher aqueles cascalhos que se empoçou e agora nos cercam, e uni-los em edificação. Somos os engenheiros de si.  Mesmo que a porta para a sabedoria seja estreita, eu passarei e verei do outro lado luz. Muita luz. Erguerei a fronte contra o sol e exclamarei: Eu venci!

         Porque todo recomeço é necessário. Porque todo recomeço é tortura. Ele nos prende em jaulas apertadas e apontam, julgam, como se já não bastasse nossas consciências machucadas que pesa segundo a segundo, minuto a minuto, nos enlouquecendo, nos batendo.

E então recordamo-nos. É ainda o papel que foi guardado no bolso. Sonhos anotados em rascunhos são aqueles que em maior embrulho chegam. E quando chegarem, teremos assimilado que o terremoto passou. As ondas se acalmaram. O céu se abriu. O dia chegou. E o sossego também. Quão bom apreciar a voz que diz:

-Acalma-te coração! Estas são somente as águas de março... 



Fonte: Ana Carolina Memória
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade

Mais de Memórias de Ana Carolina