Daniel Paixão
Daniel Paixão

Coluna

Papudiskina

A TV DIGITAL EM UM PAÍS DESIGUAL

A CLASSE POLÍTICA SILENCIOU -
Publicado em: 25 de Outubro de 2019

A TV DIGITAL EM UM PAÍS DESIGUAL - Você sabe, com certeza, que a TV Digital é uma revolução tecnológica e mudou, em vários lugares do país, a forma como hoje vemos TV. O problema que temos é que a digitalização mostrou como nós, da região Centro-Oeste e Norte, somos esquecidos. Enquanto em São Paulo, no Sudeste, a TV analógica foi desligada em praticamente todas as cidades, no Centro Oeste e Norte apenas algumas poucas cidades não contam mais com o anacrônico e ultrapassado sistema analógico. Só para se ter uma idéia, em São Paulo, não existe TV analógica nem na pequena Borá, uma cidade de menos de mil habitantes. Segundo o IBGE, Borá tinha em 1º de julho deste ano 837 habitantes.
Em Rondônia, municípios importantes como Ji-Paraná, Ariquemes, Vilhena e Cacoal, segundo o site Seja Digital, da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) só vão desligar o sistema analógico em 31/12/2023. Porto Velho é o único município com 100% das emissoras transmitindo sua programação pelo sistema digital e que desligou o analógico.
A questão que devemos analisar é a seguinte: “Existe um disparate tão grande entre Porto Velho e as cidades do interior do Estado, especialmente os quatro grandes municípios do interior”?  Não existe essa diferenciação tão grande no padrão de vida dos brasileiros que moram nesses grandes municípios do interior e os que moram na capital. O que há é desrespeito com o interior do Brasil e especialmente das regiões norte e centro-oeste, onde a maioria dos municípios será obrigada a conviver com esse sistema analógico por mais  de três anos.
Claro que em cidades maiores do interior, já existem emissoras transmitindo em sinal digital. Em Cacoal, a TV Globo foi a primeira e sob o ponto de vista de padrão técnico, é a única. Outras emissoras até ensaiam a entrada no mundo digital, mas o fazem com equipamentos que entregam um conteúdo instável, ficando boa parte do tempo fora do ar. Tem ainda o caso de TVs que, enquanto o mundo se encaminha definitivamente para o conteúdo 4K, ainda entregam conteúdo em 480P, o que é um absurdo e uma falta de respeito extremo aos seus telespectadores. A afiliada da Globo na cidade pelo menos oferece o conteúdo digital em 1080P, com uma qualidade muito superior à de suas concorrentes. 
Mesmo a afiliada do SBT e Band na cidade, que oferecem conteúdo digital em 1080P, como a repetidora da Globo, estranhamente ficam fora do ar de vez em quando, pelo menos no bairro onde moro. Tudo isso nos faz desconfiar de que usam equipamentos digital de “quinta” categoria. Talvez usem equipamentos comprados na China, sem a certificação adequada da Anatel. Espero, sinceramente, que aos poucos, após a fase experimental, essas emissoras troquem seus transmissores para transmissores de qualidade.

A CLASSE POLÍTICA SILENCIOU - O mais estranho é o silêncio estarrecedor da bancada do norte e centro-oeste e até do nordeste com essa prática da Anatel de permitir que as cidades dessas regiões tivessem um tempo tão longo para erradicarem o sistema analógico. Não faz sentido um tempo tão longo assim. A classe política deveria ter entrado no debate, defendendo os rincões mais longínquos do país desse vexame e discriminação. Está certo que em algumas cidades mais distantes, sobretudo do norte e do nordeste, algumas cidades tem um IDH muito baixo, e uma população sem condições de trocar os seus equipamentos. Ocorre que para essas cidades, haveria a opção de o governo, através de suas instituições bancárias e em parceria com a rede de bancos privados, liberar uma linha especial de crédito Seja Digital para que as pessoas pudessem comprar os adaptadores digitais que, fabricados e comprados em grandes quantidades, poderiam ser oferecidos por menos de 100 reais cada unidade.
Apesar de a Anatel ter permitido que boa parte das emissoras do Brasil pudessem continuar convivendo com o anacronismo da TV analógica até 2023, ainda há tempo para a classe política reagir, ir para cima e mudar esse calendário. Já era para o Brasil ter erradicado a TV analógica por completo. Se pequenos municípios de São Paulo já o fizeram, por que não o resto do país ou pelo menos todas as cidades com mais de 50 mil habitantes?
A Anatel teria de utilizar um critério melhor. Não dá para entender como cidades com mais de 50 mil habitantes ainda continuem com TV analógica ligada em pleno ano de 2019, com todos os avanços tecnológicos. 
Fica aí a dica para os 08 deputados federais e os três senadores de Rondônia buscar os representantes de outros estados do Norte e Centro Oeste (e também do Nordeste) para que procurem a Anatel e proponham uma revisão desse calendário. Cidades como Ji-Paraná, Ariquemes, Vilhena e Cacoal já poderiam desligar por completo os sistemas analógicos imediatamente. Isso obrigaria aos dirigentes das emissoras locais a investirem um pouco mais na compra de transmissores decentes.



Fonte: Daniel Oliveira da Paixão
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